sábado, 13 de abril de 2013

A INCONGRUENTE DOUTRINA DA SANTÍSSIMA TRINDADE




 “A Santíssima Trindade é um Mistério para ser aceito, não para ser compreendido”, foi a voz de muitos sacerdotes ao longo da Idade Média e que continua ressoando no século XXI.




                    Rios de tinta medieval, sem falar no sangue, foram gastos para explicar o “mistério” da Trindade. A controvérsia dividiu a cristandade ao meio por um século. O dogma da Santíssima Trindade até hoje não foi resolvido. Eles surgiram nos concílios de Nicéia (325), Constantinopla (381), Éfeso (431) e Calcedônia (451).


                       Temos um Deus em três partes, ou serão três deuses em um?
                       Um amigo de debates do orkut, Bertoldo, explica o que é Trindade:
                      “É simples, Deus1 manda Deus2 para ser crucificado e depois manda Deus3 para anunciar que Deus1 é Pai de Deus2 e assim todos ficarem sabendo.
                    Depois Deus2 é crucificado e no terceiro dia ressuscita, depois de um período fazendo aparições ao estilo Ghost, Deus2 sobe para os céus, para se encontrar com Deus1, mas deixa dito que Deus3 vai voltar e no dia de Pentecostes Deus3 volta e dá aos seguidores a possibilidade de pregar o Evangelho e a conversão aqueles que aceitarem Deus2 como o caminho para Deus1 e que são convertidos por Deus3.


Ficou claro?? 
Deus1 = Senhor dos Exércitos
Deus2 = Jesus
Deus3 = Espírito Santo.
Formam o tri-uni mais conhecido como trindade.” 


                    Bertoldo estava coberto de razão. O grande ponto da fé religiosa, sua força e sua glória, é que ela não depende de justificativas racionais.





                       Pregam os pastores protestantes que o universo foi feito por Deus, Jesus e o Espírito Santo e para justificarem seus argumentos citam passagens bíblicas onde “Deus fala”, segundo eles, na terceira pessoa do imperativo:


Gen 1:26 -  E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança;

Gen 3:22  Então disse o Senhor Deus: Eis que o homem é como um de nós, sabendo o bem e o mal;

Gen 11:7  Eia, desçamos e confundamos ali a sua língua, para que não entenda um a língua do outro...


O CRISTIANISMO CONTRADIZ A TEOLOGIA JUDAICA
 “– D-us em três? A idéia cristã da trindade quebra D-us em três seres separados: o Pai, o Filho e o Espírito Santo (Mateus 28:19). Compare isto com o Shemá, a base da crença judaica: “Ouve, ó Israel, o Eterno nosso D-us, o Senhor é UM” (Devarim 6:4). Os judeus declaram a unicidade de D-us todos os dias, escrevendo-a sobre os batentes das portas (Mezuzá), e atando-a à mão e cabeça (Tefilin – filactérios).
 Esta declaração da unicidade de D-us são as primeiras palavras que uma criança judia aprende a falar, e as últimas palavras pronunciadas antes de morrer.
Na Lei Judaica, adorar um deus em três partes é considerado idolatria – um dos três pecados cardeais, que o judeu prefere desistir da vida a transgredir. Isto explica porque durante as Inquisições e através da História, os judeus desistiram da vida para não se converterem.


                   O Espírito Santo também é invocado na leitura da Bíblia. Só os iluminados pelo Espírito Santo têm pleno discernimento da leitura da Bíblia. Segundo ainda os pastores protestantes e os padres da Igreja Católica, Deus capacita os escolhidos e lhes dão plena compreensão do Texto Sagrado. Neste norte, os pastores protestantes analfabetos das periferias das grandes cidades e do interior nordestino, sabem melhor interpretar a Bíblia que seus próprios autores (hebreus/judeus) que não precisam de tradução, foi escrita na língua deles, por eles, registrando usos, costumes e legislação da época em que fora escrita.


Estamos diante de uma incoerência imensurável. O que levam os cristãos a uma cegueira coletiva? Teria um Deus onipotente, onisciente e onipresente criado “pegadinhas” na Bíblia? Fazendo frases, versículos e capítulos ambíguos para confundir os não escolhidos e assim fazer com que eles creiam na mentira e permaneçam no erro? Sabiam os autores da bíblia a existência futura de um mito criado em Roma – Jesus - antes mesmo do seu nascimento? Acredito que não, do contrário o Velho Testamento teria lhe dedicado um livro inteiro falando a seu respeito. Só a ciência tem o poder de predizer o futuro.


 VISÃO ISLÂMICA SOBRE A TRINDADE

“Deus: Só existe um Deus verdadeiro, e seu nome é Alá. Ele é Onisciente, Todo-Poderoso e Juiz Soberano. Contudo, ele não é um Deus Pessoal. Acha-se acima do homem em todos os sentidos, não podendo ser conhecido como uma personalidade. O Islamismo ensina a unidade da essência de Deus, excluindo explicitamente a doutrina da Santíssima Trindade. Não aceita a divindade de Jesus nem o Espírito Santo. Os muçulmanos não crêem na morte e ressurreição de Jesus nem na salvação por seu intermédio.”

 Quando uma pessoa sofre de um delírio, isso se chama insanidade. Quando muitas pessoas sofrem de um delírio, isso se chama religião.


E quanto ao Espírito Santo?


Não existe trindade no livro sagrado do Judaísmo. Qualquer referência a Santíssima Trindade, são puras conjecturas, juízos sem fundamento, impreciso. Como alguém pode ir buscar a trindade na Bíblia, se os seus autores não acreditam em um Deus trino?

O mais intrigante ainda é o fato de que toda comunidade cristã não se apercebe dos erros contidos nas pregações e por mais que se tente demonstrar, por mais provas robustas que se apresentem, mais o crente se apega, mais ainda às palavras ouvidas dos pastores nas igrejas e a eles são agradecidos dizendo que aos pastores são agradecidos por terem lhes mostrado a luz, pela libertação através da verdade.

Sem dúvidas, um dos efeitos verdadeiramente negativos da religião é que ela nos ensina que é uma virtude satisfazer-se com o não entendimento.

Ora, se o entendimento da Bíblia fosse dado por inspiração do Espírito Santo, todos os pastores, formados em teologia ou analfabetos, padres, bispos e cardeais, tinham o mesmo entendimento da Bíblia, o que não é verdade. Há milhares de denominações de igrejas cristãs por todo o mundo e cada templo tem a sua orientação própria da bíblia dada em nome Espírito Santo.

Quem se arvora em acreditar que de alguma maneira, de algum modo, tropeçou na verdadeira mensagem contida na bíblia quando teólogos do mundo inteiro não chegam a uma conclusão unânime?

Pessoas descrentes compreendem perfeitamente a Bíblia, mas não a aceitam porque escolheram não acreditar em ilusões. A compreensão é intelectual, mas a aceitação é subjetiva, individual, particular e não depende de instrução para tanto. Há pessoas de pouco discernimento que, pela primeira vez que vai a um culto evangélico, aceitam imediatamente a mensagem que lhe foi repassada através de um método malicioso de evangelização, sem se preocupar com os detalhes ou prova da existência de Jesus.

Na verdade, a Terceira Pessoa da Trindade Cristã envolve nomes como Tertuliano, Ário, Atanásio de Alexandria, Constantino, Teodósio, Dioscorus, Eutiques e Pulcheria e abranje revolução, excomunhão, e até morte.

Para os cristãos, a Santíssima Trindade não pode ser derrubada pela Ciência (com suas provas e pesquisas), pela História dos Concílios (com seus registros e evidências) e muito menos com o exame racional do tema.

O que os pastores analfabetos não sabem é que a Trindade não é crença exclusiva do Cristianismo, mas acredito que os padres, os pastores com instrução mediana e os teólogos sabem e esconde de seus fiés o fato de que a Trindade é uma crença pagã de Deuses antigos absorvido pelo Cristianismo.

As trindades existiram em todas as religiões antigas:


Na Suméria: Na, Em-Lil e Em-Ki

Na Acádia: Sin, Shamash e Ishtar

Em Mâri: Anat, Dagan e Addu

Na Babilônia: Marduk (Baal), Shamash e Adad ou Ea, Istar e Tamus

Na Cananea: Baal, Vam e Môt

Na Índia: (trimurti) Brahma, Vishnu e Siva

Na China: Fu, Lo e Cho

No Egito: Osíris, Isis e Horus

Na Pérsia: Orzmud, Arimam e Mitra

Os Celtas: Voltan, Friga e Dinas

Na Grécia: Zeus, Demétrio e Dionísio






Tertuliano



Embora o que sabemos de Tertuliano sejam escritos deixados por Eusébio de Cesaréia, em “História Eclesiástica”, cerca de 100 anos após os acontecimentos, advirto aos leitores prudência na leitura.

Quintus Septimius Florens Tertullianus, conhecido como Tertuliano (160 - 220 ) foi um prolífico autor das primeiras fases do Cristianismo, nascido em Cartago na província romana da África. Ele foi um primeiro autor cristão a produzir uma obra literária (corpus) em latim. Ele também foi um notável apologista cristão e um polemista contra a heresia.

Embora conservador, ele organizou e avançou a nova teologia da Igreja antiga. Ele é talvez mais famoso por ser o autor mais antigo cuja obra sobreviveu a utilizar o termo "Trindade" (em latim: Trinitas) e por nos dar a mais antiga exposição formal ainda existente sobre a teologia trinitária. É um dos Padres latinos.

Algumas das idéias de Tertuliano não eram aceitáveis para os ortodoxos e, no fim de sua vida, ele se tornou um montanista.

Tertuliano introduziu na teologia latina, e na da Igreja em geral, uma série de termos e conceitos provenientes do direito. Concebeu a vida cristã e a salvação à semelhança de um processo penal, em que Deus é o legislador, o Evangelho a lei, quem obedece recebe a compensação, quem desobedece torna-se culpado e é castigado. Tertuliano introduziu ou consagrou algumas distinções importantes, como por exemplo a de preceito e conselho evangélico.


A Trindade

O maior contributo de Tertuliano para a teologia foi a sua reflexão acerca do mistério trinitário. Criou um vocabulário que passou a fazer parte da linguagem oficial da teologia cristã. Foi ele que introduziu a palavra “Trinitas”, como complemento da “Unitas”. Segundo Tertuliano, Pai, Filho e Espírito Santo são um só Deus porque uma só é a substância, um só estado (status) e um só poder.

Mas, por outro lado, distinguem-se, sem separação, pelo grau, pela forma e pela espécie (manifestação). Tertuliano introduz assim o termo “pessoa”, (persona), para significar cada um dos três, considerado individualmente. Este vocabulário passou a vigorar, até hoje, para referir as realidades trinitárias.

No entanto, Tertuliano deixa transparecer alguma influência subordinacionista. Ao falar da geração do Filho, sem querer comprometer a sua divindade, admite uma certa gradação, desde uma fase anterior à criação, em que o Logos de Deus se contempla a Si mesmo, para passar a contemplar a economia salvífica, e é engendrado de forma imanente em Deus, até à criação, em que a Palavra se realiza como tal ao ser proferida.

Cristo é, assim, o primogênito do Pai, gerado antes de todas as coisas, mas não é eterno. O Filho é como que uma porção ou emanação do Pai.

Tertuliano, apesar de ter dotado a teologia trinitária dum vocabulário preciso, e de ter procurado a exatidão, não se livrou dalgumas ambiguidades e deficiências.


O ARIANISMO


O arianismo foi uma visão Cristológica sustentada pelos seguidores de Arius, presbítero de Alexandria nos primeiros tempos da Igreja primitiva, que negava a existência da consubstancialidade entre Jesus e Deus, que os igualasse, fazendo do Cristo pré-existente uma criatura, embora a primeira e mais excelsa de todas, que encarnara em Jesus de Nazaré.

 Jesus então, seria subordinado a Deus, e não o próprio Deus. Segundo Arius só existe um Deus e Jesus é seu filho e não o próprio. Ao mesmo tempo afirmava que Deus seria um grande eterno mistério, oculto em si mesmo, e que nenhuma criatura conseguiria revelá-lo, visto que Ele não pode revelar a si mesmo. Com esta linha de pensamento, o historiador H. M. Gwatkin afirmou, na obra "The Arian Controversy": "O Deus de Ário é um Deus desconhecido, cujo ser se acha oculto em eterno mistério".

Por volta de 319 Arius começou a propagar que só existia um Deus verdadeiro, o "Pai Eterno", princípio de todos os seres. O Cristo-Logos havia sido criado por Ele antes do tempo como um instrumento para a criação, pois a divindade transcendente não poderia entrar em contato com a matéria.

Jesus, inferior e limitado, não possuía o mesmo poder divino, situando-se entre o Pai e os homens. Não se confundia com nenhuma das naturezas por se constituir em um semi-deus. Ário afirmava ainda que o Filho era diferente do Pai em substância. Essa idéia ligava-se ainda ao antigo culto dos heróis gregos, dentre os quais para ele Jesus sobressaía com o maior, embora apenas possuísse uma divindade em sentido impróprio. Como meio de difusão mais abrangente de suas idéias, fê-lo sob a forma de canções populares.

Um primeiro sínodo, em Alexandria, expulsou Arius da comunhão eclesiástica, mas dois outros concílios, fora do Egito, condenaram aquela decisão, reabilitando-o.

Arius procurou o apoio de companheiros que, como ele, haviam sido discípulos de Luciano de Antioquia, em especial Eusébio, bispo de Nicomédia (atual İzmit). A luta que se seguiu chegou a ameaçar a unidade da Igreja e, ante o perigo de fragmentar também o império, levou o imperador Constantino  a enviar Ósio, bispo de Córdoba, seu conselheiro particular, como mediador.

O insucesso da missão levou-o a convocar, em 325, um concílio universal em Niceia (atual İznik).No Primeiro Concílio de Niceia (325) a maioria dos prelados, corroborada pelo próprio Constantino graças à influência de  Atanásio (criador do termo "homoousios", siginificando "de substância idêntica" – para descrever a relação de Jesus com o Pai), condenou as propostas arianas, e declarou-as heréticas, obrigando à queima dos livros que as continham e promulgando a pena de morte para quem os conservasse. Definiu ainda o chamado "Símbolo de Niceia". - Nele se afirmava que o Verbo era o verdadeiro Deus, consubstancial ao Pai, possuindo em comum com Ele a natureza divina e as mesmas perfeições.

As inúmeras dúvidas suscitadas pelo Sínodo de Niceia reacenderam as lutas, com os prelados acusando-se mutuamente de hereges. Várias fórmulas dogmáticas foram ensaiadas para complementar a de Niceia, acentuando ainda mais as divisões, num conflito que expôs cada vez mais as diferenças entre o Ocidente latino e o Oriente grego, envolvendo disputas de primazia hierárquica e de política.

Desse modo, num novo sínodo geral, celebrado na fronteira dos dois impérios, os ocidentais se congregaram em torno do símbolo de Niceia e excomungaram os hereges. Os orientais, a seu apoiaram as idéias de Árius e excomungaram não apenas os bispos apoiantes de Niceia como também o próprio bispo de Roma.

Arius retornou a Constantinopla em 334, a chamado de Constantino e, segundo a lenda, faleceu em 336 quando a caminho de receber a comunhão novamente.

As ideias de Arius foram adotadas por Constâncio II (337-361) sem que, entretanto, se impusessem à Igreja.

Difundiram-se entre os povos bárbaros do Norte da Europa, quando da evangelização dos Godos, pela ação de Ulfila, missionário enviado pelo imperador romano do Oriente. Os Ostrogodos e Visigodos chegaram à Europa ocidental já cristianizados, mas arianos.

Uma carta de Auxentius, um bispo de Milão do século IV, referindo-se ao missionário Ulfila, apresentou uma descrição clara da teologia ariana sobre a Divindade:

 Deus, o Pai, nascido antes do tempo e Criador do mundo era separado de um Deus menor, o Logos, Filho único de Deus (Cristo) criado pelo Pai. Este, trabalhando com o Filho, criou o Espírito Santo, que era subordinado ao Filho e, tal como o Filho, era subordinado do Pai. Segundo outros autores, para Arius o Espírito Santo seria uma criatura do Logos (Filho).

A questão só seria debelada quando, em fins do reinado de Teodósio, ao tornar-se religião oficial do império, o cristianismo ortodoxo-romano afirmou-se em definitivo.

Após o século V, graças às perseguições, o movimento desapareceu gradualmente.

Séculos mais tarde, o nome "Arianos" foi usado na Polônia para referir uma seita Cristã Unitária, a irmandade polaca (Frater Polonorum). Eles inventaram teorias sociais radicais e foram precursores do Iluminismo.


 Atanásio de Alexandria

Atanásio de Alexandria (Alexandria,  295 — Alexandria, 2 de maio de 373), bispo de Alexandria, considerado santo pela Igreja Ortodoxa e Igreja Católica (esta última reverencia-o também como um dos seus trinta e três Doutores da Igreja) e ainda um dos mais prolíficos Padres gregos.



Santíssima Trindade

 

Do ponto de vista doutrinal, foi perseguido e exilado cinco vezes devido às acesas discussões que manteve contra partidários do arianismo; para além disso, defendeu a consubstancialidade das Três Pessoas Divinas na Santíssima Trindade, tal como definido pelo Primeiro Concílio de Niceia, em 325, no Credo Niceno.



INTRODUÇÃO À TRINDADE, Lynn Lorenzen, 2002, pag.16.


"Os imperadores se consideravam guardiães da fé e por isso tomavam partido nos debates teológicos, influenciando os resultados. Eram os imperadores quem convocavam os Concílios de bispos para tomarem decisões relacionadas com a doutrina da Igreja, de modo que a pressão para desenvolver a doutrina (Trindade) veio de fora da Igreja e inicialmente para fins políticos.”





Constantino - Doutrina da Trindade


Flavius Valerius Constantius (285-337), Constantino o Grande - Divergências teológicas relativas a religião recém incorporada no Império Romano começaram a se demonstrar no império de Constantino quando dois opositores principais se destacaram dos outros e discutiram sobre se Jesus era um ser criado (doutrina de Arius) ou não criado, e sim igual e eterno como Deus seu pai (doutrina de Atanásio).

A guerra teológica entre os adeptos de Arius e Atanásio tornou-se acirrada. Constantino percebeu que seu império estava sendo ameaçado por esta divisão doutrinal. Constantino começou a pressionar a Igreja para que as partes chegassem a um acordo antes que a unidade de seu império ficasse ameaçada. Finalmente, o imperador convocou um concílio em Nicéia, em 325 AD, para resolver a disputa.

Apenas 318 bispos compareceram, o que equivalia a apenas uns 18% de todos os bispos do império. Dos 318, apenas uns 10% eram da parte ocidental do império de Constantino, tornando a votação tendenciosa, no mínimo. O imperador manipulou, pressionou e ameaçou o concílio para garantir que votariam no que ele acreditava, não em algum consenso a que os bispos chegassem.

A maioria dos bispos, pressionada por Constantino, votou a favor da doutrina de Atanásio. Foi adotado um credo que favorecia a teologia de Atanásio. Arius foi condenado e exilado. Vários bispos foram embora antes da votação para evitar a controvérsia. Jesus  foi aprovado como sendo “uma única substância” com Deus Pai. É significativo que até hoje as igrejas ortodoxas do leste e do oeste discordem entre si quanto a esta doutrina, ainda conseqüência das igrejas do oeste não terem tido nenhuma influência na “votação”.

Dois dos bispos que votaram a favor de Arius também foram exilados e os escritos de Arius foram destruídos. Constantino decretou que qualquer um que fosse apanhado com documentos arianistas estaria sujeito à pena de morte. O credo de Nicéia declara:

“Creio em Um só Deus, Pai Onipotente, Criador do céu e da terra e de todas as coisas visíveis e invisíveis. E em Um só Senhor, Jesus Cristo, o Filho unigênito de Deus, gerado do Pai antes de todas as coisas. Deus de Deus, Luz da Luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado, não criado, consubstancial ao Pai, por quem todas as coisas foram feitas ...”
 Mesmo com a adoção do Credo de Nicéia, os problemas continuaram e, em poucos anos, a facção arianista começou a recuperar o controle. Tornaram-se tão poderosos que Constantino os reabilitou e denunciou o grupo de Atanásio. Arius e os bispos que o apoiavam voltaram do exílio. Agora, Atanásio é que foi banido. Quando Constantino morreu (depois de ser batizado por um bispo arianista), seu filho restaurou a filosofia arianista e seus bispos e condenou o grupo de Atanásio.

Nos anos seguintes, a disputa política continuou, até que os arianistas abusaram de seu poder e foram derrubados. A controvérsia político/religiosa causou violência e morte generalizadas.

Em 381 AD, o imperador Teodósio (um trinitarista) convocou um concílio em Constantinopla. Apenas os bispos trinitaristas foram convidados a participar. 150 bispos compareceram e votaram uma alteração no Credo de Nicéia para incluir o espírito Santo como parte da divindade. A doutrina da trindade era agora oficial para a Igreja e também para o Estado. Os bispos dissidentes foram expulsos da Igreja e excomungados.

 O Imperador Teodósio convocou então um concílio geral na cidade de Éfeso. Tal reunião foi marcada pelo autoritarismo de Dioscorus.

O concílio condenou os que diziam ter Cristo duas naturezas (“que aqueles que dividem Cristo sejam divididos pela espada”)

No entanto o Imperador estava inflexível, e os legados papais também, e uma comissão de dezoito bispos preparou novo decreto, em que Cristo tinha uma pessoa em duas naturezas, que foi aceito relutantemente pelos participantes. E este foi o concílio de Calcedônia.

Nos anos seguintes houve reações violentas. Jerusalém foi invadida, pilhada e queimada, com muitos mortos, por um exército de monges em favor de uma natureza só de Cristo.



Nestorius


Nestorius (386 – 451) foi um monge, oriundo da Anatólia, que se tornou arcebispo de Constantinopla entre 10 de abril de 428 e 22 de junho de 431.

A Igreja nestoriana não é oficialmente denominada assim nem seus adeptos gostam de chamá-la assim. Esse nome foi dado por seus oponentes monofisitas, que também formaram e formam um outro ramo do cristianismo. Eles se denominam “Igreja do Oriente”. Mas por comodidade continuaremos chamando-a assim.

No entanto nessa mesma época estava se desenvolvendo o pensamento diametralmente oposto, de que Cristo teria uma só pessoa, a divina. Um dos campeões dessa doutrina era o monge Eutychius.

Nestório procurou se defender no Primeiro Concílio de Éfeso (431), mas só conseguiu ser formalmente condenado como herege e derrubado de sua sé episcopal. Depois disso, ele se retirou para um mosteiro, onde ele defendeu a ortodoxia pelo resto da vida.

Apesar desta concessão, muitos dos que o apoiaram decidiram deixar a igreja, no que ficou conhecido como cisma nestoriano, e, nas décadas seguintes, se mudaram para a Pérsia.

O nestorianismo se tornou então a posição oficial da Igreja Assíria do Oriente, que reconhece apenas os dois primeiros concílios ecumênicos (Primeiro Concílio de Niceia e o Primeiro Concílio de Constantinopla).

Acreditava que em Cristo há duas pessoas (ou naturezas) distintas, uma humana e outra divina, completas de tal forma que constituem dois entes independentes. A sua crença tornou-se a base do nestorianismo.

Nestorius havia considerado as duas naturezas de Cristo tão distintas que ele considerou nelas duas pessoas separadas, unidas somente por uma ligação moral como é a criada, por exemplo, entre o homem e esposa, pelo casamento. No outro extremo, Eutychius e Dioscorus mantiveram que a união era tão próxima, que eles ensinavam que, depois da encarnação do Filho e Logos, não duas mas somente uma única natureza deveria ser mencionada; isto é, a divina, que teria ou absorvido em si a natureza humana, ou havia misturado e se fundido com ela.

 Foi para condenar este outro extremo de opinião, conhecido como Monofisismo, que o Quarto Sínodo Ecumênico reuniu-se em Calcedônia em A.D. 451, no reino da Imperatriz Pulcheria. Esse Sínodo emitiu um decreto que tanto reafirmou os pronunciamentos do Terceiro Sínodo, que o Senhor é um e o mesmo, perfeito em divindade, assim como em humanidade, e que duas naturezas existiram no Deus-Homem, como também estabeleceu que essas duas naturezas estiveram unidas na única pessoa do Logos, não só "sem distinção e sem separação," mas também "sem confusão nem mudança," uma natureza não sofrendo nem aniquilamento nem alteração pela outra.

Foi ainda um escritor fecundo, mas quase todos os seus sermões foram queimados por ordem do imperador Teodósio II. Os escritos que restaram estão em siríaco.

O Credo de Atanásio

O Credo (trinitário) de Atanásio foi finalmente estabelecido (provavelmente) no século V. Não foi escrito por Atanásio mas recebeu seu nome. Este é um trecho:

“Adoramos um só Deus em trindade ... O Pai é Deus, o Filho é Deus, e o espírito Santo é Deus; e contudo eles não são três deuses, mas um só Deus.”

Por volta do século IX, o credo já estava estabelecido na Espanha, França e Alemanha. Tinha levado séculos desde o tempo de Cristo para que a doutrina da trindade “pegasse”. A política do governo e da Igreja foram as razões que levaram a trindade a existir e se tornar a doutrina oficial da Igreja.

A Enciclopédia Católica esclarece a questão, numa obra-prima do raciocínio teleológico:

Na unidade da Divindade há três pessoas, o Pai, o Filho e o Espírito Santo, sendo que essas Três Pessoas são distintas uma das outras. Assim, nas palavras do Credo de Atanásio: “o Pai é Deus, o Filho é Deus, o Espírito Santo é Deus, contudo não há três deuses, mas um só Deus.”

Como se isso não estivesse suficientemente claro, a enciclopédia cita o teólogo do Século III São Gregório, o Milagreiro:

Não há portanto nada que tenha sido criado, nada que tenha sido sujeitado a outro na Trindade: nem há nada que tenha sido acrescentado como se uma vez não tivesse existido, mas entrado depôs: portanto o Pai jamais esteve sem o Filho, nem o Filho sem o Espírito Santo: e essa mesma Trindade é imutável e inalterável para sempre.

Quaisquer que tenham sido os milagres que deram a São Gregório seu apelido, não eram milagres de lucidez. Suas palavras carregam o traço obscurantista característico da teologia, que – diferente da ciência e da maioria dos outros ramos da sabedoria humana – não mudou em dezoito séculos.

Como vimos, a doutrina trinitária resultou da mistura de intriga, fraude, política, um imperador pagão e facções em guerra que causaram mortes e derramamento de sangue.


O que prega Padre Paulo Ricardo da Igreja Católica -Remédio para curar o medo

          


OUTRAS FONTES



ENCICLOPÉDIA DA RELIGIÃO, M. A.Canney, pg 53.
"A religião primitiva sempre batizava em nome do Senhor Jesus até o desenvolvimento de doutrina da Trindade no 2° Século."

ENCICLOPÉDIA DA RELIGIÃO, J. Hastings, Vol 2 pg 377-378-389.
"O batismo cristão era administrado usando o nome de Jesus. O uso da fórmula trinitariana de nenhuma forma foi sugerida pela história da igreja primitiva; o batismo foi sempre em nome do Senhor Jesus até o tempo do mártir Justino quando a fórmula da Trindade passou a ser usada”.

ENCICLOPÉDIA DE RELIGIÃO E ÉTICA, pg. 384. "Não existe evidência na história da Igreja Primitiva do uso dos três nomes."

ENCICLOPÉDIA BARSA, 1998, vol. 15, pág. 214
"A palavra Trindade não aparece no Novo Testamento, nem Jesus e seus seguidores pensaram em contradizer o Velho
Testamento que diz: Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor (Dt 6: 4)".

ENCICLOPÉDIA BRITÂNICA,11ª edição, Volume 3, pág. 82
"Sempre nas fontes antigas menciona que o batismo era em nome de Jesus Cristo. A fórmula batismal foi mudada do nome de Jesus Cristo para as palavras Pai, Filho e Espírito Santo pela Igreja Católica no 2º Século."


NOVA ENCICLOPÉDIA INTERNACIONAL, Vol. 22 pg 477
"O termo ‘trindade’ se originou com Tertuliano, padre da Igreja Católica Romana”.

ENCICLOPÉDIA CATÓLICA, 1913, Vol. 2, pg 365.
Mt 28,19 “Aqui o católico reconhece que o batismo foi mudado pela Igreja Católica”

NEW CATHOLIC ENCYCLOPAEDIA, 1967, vol. XIII, pg. 575.
“A maioria dos textos do Novo Testamento revela o espírito de Deus como sendo algo, não alguém; isto se vê especialmente no Paralelismo entre o espírito e o poder de Deus."


NEW CATHOLIC ENCYCLOPAEDIA, 1967, Vol XIV, pg 299.
"A formulação de um só Deus em três pessoas" não foi solidamente estabelecida, decerto não plenamente assimilada na vida cristã e na sua profissão de fé, antes do 4o século. Mas é precisamente esta formulação que tem a primeira reivindicação ao título de dogma da Trindade. Entre os Pais Apostólicos, não havia nada, nem mesmo remotamente, que se aproximasse de tal mentalidade ou perspectiva".

NOUVEAU DICTIONNAIRE UNIVERSEL, M. Lachâtre, vol. II, pg. 1467
"La trinité platonicienne, même un simple réaménagement des anciennes trinités datant de peuples antérieurs, semble être la trinité philosophique rationnelle des attributs qui a donné naissance à l'hypostase trois ou personnes divines enseignées par les églises chrétiennes."

(“A trindade platônica, que em si é meramente um rearranjo de trindades mais antigas, que remontam aos povos anteriores, parece ser a trindade filosófica racional de atributos que deram origem às três hypostasis ou pessoas divinas ensinadas pelas igrejas cristãs”).


ENCICLOPÉDIA AMERICANA, Vol  XXVII, pg 294
"O Cristianismo derivou-se do Judaísmo, e o Judaísmo era estritamente unitário. O caminho que levou de jerusalém a Nicéia dificilmente foi em linha reta. O trinitarismo do quarto século de nenhuma forma refletiu o primitivo ensino cristão sobre a natureza de Deus; foi ao contrário, um desvio desse ensinamento".

DICTIONARY OF THE BIBLE, John Mac Kenzie, 1965, pg. 899
"A Trindade de pessoas dentro da unidade de natureza é definida em termos de 'pessoa' e de 'natureza', que são termos filosóficos gregos; na realidade esses termos não aparecem na Bíblia. As definições trinitárias surgiram em resultado de longas controvérsias, em que esses termos e outros, como 'essência' e 'substância', foram erroneamente aplicados a Deus".


BÍBLIA DE JERUSALÉM, 10a edição, 2001, pg 1896

Mt 28,19 "Sabe-se que o livro de Atos fala em batizar "no nome de Jesus"(cf. At 1,5 +; 2,38+). Mais tarde deve ter-se estabelecido a associação do batizado às três pessoas da Trindade".

TRUE CHISTIANITY - Rev. Steve Winter

ATOS 4:12 "Batismo em nome de Jesus. E em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos."


NA AURORA DO CRISTIANISMO -   APÓS O NASCIMENTOS DOGMAS, 1998, Claude (Marie-Émile) Boismard

"A declaração de que há três pessoas em um só Deus não pode ser encontrada em lugar nenhum do Novo Testamento".


JESUS E JAVÉ, Harold Bloom (Yale University), pg 119

"Pretendo aqui expor o mistério da Trindade, o melhor que posso fazê-lo. Ao mesmo tempo que de um lado deixo clara a minha admiração pelo brilhantismo do conceito, afirmo a minha perplexidade diante do atrevimento e do escândalo inerentes a esse
mesmo dogma".

ORIGEM E EVOLUÇÃO DA RELIGIÃO, E. W. Hopkins
"A definição ortodoxa final da "trindade" era em grande parte uma questão de política eclesial"!

HISTÓRIA DA CIVILIZAÇÃO, Will Durant, 2002, Ed. Record
"O Cristianismo não destruiu o paganismo; ele o adotou. Do Egito vieram as idéias de uma trindade divina, o Juízo final, a recompensa e castigo".


Quando ainda não era papa, ele escreveu isso:



INTRODUÇÃO AO CRISTIANISMO, Cardeal Joseph Ratzinger, 1ª Edição, 1968, pgs. 82-83.
"A forma básica da nossa profissão de fé trinitariana (Mateus 28,19) tomou forma durante o curso dos séculos segundo e terceiro em conexão com a cerimônia de batismo. Medida em que seu lugar de origem está em causa, o texto (Mateus 28,19) veio da cidade de Roma.

O batismo da Trindade e texto de Mateus 28,19, portanto, não se originou a partir da Igreja original, que começou em Jerusalém por volta do ano 33. Era um pouco como demonstra a evidência uma invenção posterior do catolicismo romano. Bem poucos sabem sobre esses fatos históricos".


BÍBLIA DE JERUSALÉM, pgs.2291 e 2292
"O texto dos v v. 7-8 está acrescido na Vulgata de um inciso (aqui abaixo está entre parênteses) ausente nos antigos manuscritos gregos, nas antigas versões e nos melhores manuscritos da Vulgata, e que parece ser uma glosa marginal introduzida posteriormente no texto: 'Porque há três que testemunham (no Céu: o Pai, o Verbo e o Espírito Santo, e esses três são um só; e há três que testemunham na terra): o Espírito, a água e o sangue, e esses três são um só'."



THE ORTODOX CORRUPTION OF THE SCRIPTURES, Bart Ehrman, pg 45
"(O Comma Johanneum) representa a ocorrência mais óbvia de corrupção motivada por teologia em toda a tradição manuscrita do Novo Testamento".




SABER MAIS
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quinta-feira, 11 de abril de 2013

MÉTODO DE EVANGELIZAÇÃO





“A ilusão religiosa é a mais implacável e a mais tenaz, ela vincula uma pulsão e está próxima aos delírios psiquiátricos" (Freud, 1927)


Explorando os mitos.

1. Pessoas não se juntam as seitas. Elas são recrutadas.

2. Pessoas são recrutadas por um método e não por uma mensagem.

3. Pessoas não se mantêm nas seitas porque elas não tem nada melhor para fazer com suas vidas, mas porque coerção psicológica as mantém lá.

4. Seitas tencionam escravizar as pessoas por toda a vida, ou tão pelo máximo de tempo possível que estas tiverem valor para a seita. E isto não é um interesse passageiro ou uma fase.

5. Pessoas normais oriundas de famílias normais são recrutadas por seitas.

6. Os lideres das seitas deveriam ser culpados pelos problemas causados, e não individualmente os membros, ex-membros ou suas famílias. (Síndrome da culpa da vitima). Isto pode acontecer com qualquer um.

7. Os membros das seitas são sinceros (vitimas sinceras, mas sinceras).

8. Os membros das seitas são vitimas e precisam ser tratados com amor. Eles são pessoas que precisam de ajuda, e não hostilidade.

9. As seitas recrutam pessoas de todas as idades, e não somente pessoas jovens.

10. Os recrutamentos das seitas são dificilmente identificados visualmente. Eles normalmente se parecem com pessoas totalmente normais que parecem ser muito amigáveis.

11. Qualquer pessoa pode se tornar uma vitima das técnicas de coerção psicológicas das seitas.

12. Informações precisas sobre as seitas não são obtidas tentando-se uma infiltração nos cultos. Isto é muito perigoso.



 Predisposição para a conversão religiosa

1. Tensão: Uma discrepância entre o que alguém acha de si mesmo e o que esse alguém quer ser

2. Tipos de perspectivas de solução de problemas: perspectivas psiquiátricas, políticas e religiosas estão disponíveis, porém, a maioria escolhe as religiosas.

3. Buscadores: Religiões convencionais parecem inadequadas, então a pessoa se vê como um explorador religioso

4. O Ponto de Retorno: Alguém se sente estando em um estágio crítico de sua vida, então abraça o sentimento de que um importante passo ou mudança está para vir.

5. Circulo de Afetividade das Seitas: Uma amizade ou algum tipo de companheirismo com algum membro de uma seita pode ser estabelecido para que a conversão aconteça. Em um estudo 84.7% dos membros das seitas foram primeiro introduzidos na seita por um amigo ou conhecido de algum grupo.

6. Circulo de Amigos além da Seita: Amizades com pessoas que tem opiniões negativas sobre a seita devem ser enfraquecidas ou pelo menos serem mais fracas do que as amizades com as pessoas da seita.

7. Intensa Interação: Isto separa a conversão "verbal" da conversão "total". Esta interação com o convertido "verbal" é geralmente para que ele se torne um convertido "total" através de uma maior interação com o convertido "total".


 Tipos de Conversão

1. Intelectual: a pessoa estuda a organização sem qualquer participação na organização. Ele é basicamente um crente a partir do momento que ele começa a participar.

2. Mística: A conversão de São Paulo é um exemplo. Esta conversão surge a partir de um poder que vem de fora do individuo com pouca ou nenhuma pressão social envolvida.

3. Experimental: a pessoa participa de uma organização para ver se ela gosta ou se isto é o que ela estava procurando.

4. Afetiva: Uma amizade com um membro da seita é o principal motivo para a conversão.

5. Reavivamento: Uma profunda experiência ocorre em meio a grande emoção no meio de pessoas, isto é suficiente para causar uma conversão.

6. Coerciva: O indivíduo é forçado, sabendo ou não, a se converter. Sete passos são usados:

a. controle total do ambiente da pessoa.

b. incertezas - por exemplo, ser elogiado ou punido por fazer as mesmas coisas em diferentes tempos

c. Isolamento do mundo exterior.

d. Tortura mental e/ou física.

e. Debilitação física e exaustão.

f. Humilhação pessoal.

g. Certificação da culpa individual.



 Conversão Ativa versus Conversão Passiva

O ponto principal de discussão atual no campo da conversão por seitas é se um convertido tem um papel ativo em sua conversão, ou se ele é influenciado para se converter. Mas na parte II nós podemos ver que as duas opções estão corretas - depende de qual tipo de conversão nós estamos falando. Mística, reavivamento, afetiva, e conversão coerciva todas tem largos degraus de influencia sobre a maior parte das conversões passivas, já a conversão intelectual e a experimental são na maioria das vezes eventos realizados pelo próprio convertido. 



Observador Participante

Um importante ponto a observar é que os pesquisadores obtém suas informações sobre seitas quase que totalmente de entrevistas com membros atuais ou antigos de seitas.

Isto está começando a mudar hoje, quase nenhum entrevistador tem experiências diretas dentro de um culto. Informações de segunda mão são frequentemente mal interpretadas, e isto pode ser notado no desenvolvimento de uma pesquisa.

Por exemplo, num artigo objetivando verificar se os membros do Hare Krishna tinham algum prejuízo psicológico por envolverem-se com a seita. Infelizmente, a amostra de membros escolhida foi influenciada pelo próprio movimento Hare Krishna, o que geralmente distorce os resultados. Os Hare Krishnas poderiam esconder aqueles membros que eram psicologicamente instáveis, e de fato há evidencias que muitas seitas simplesmente rejeitam as pessoas que desenvolvem qualquer dificuldade mental.

Então, enquanto os estudiosos não encontram nenhum prejuízo na amostra, não se prova nada exceto a respeito daquelas poucas pessoas estudadas.


Pesquisadores, então, devem querer ou tornar-se um observador participante ou admitir que suas evidências não podem explicar o que acontece dentro de uma seita. Até um observador participante tem dificuldades em mostrar o seu imparcialismo. Usar ex-membros também é problemático porque eles podem tentar mostrar o grupo pior do que realmente é.



METODOS DE REFORMULAÇÃO DO PENSAMENTO

1. Controle do Meio

Envolve "controle da comunicação humana"

a. Controle de comunicação com o exterior - com quem você fala

b. Controle sobre o que você pensa internamente (ex. rejeição a dúvidas, introdução do medo quando algum pensamento "errado" acontece).

"Ele é privado da comunicação externa e da reflexão interna algo que qualquer um necessita para testar a realidade do meio em que vive e manter uma medida de identidade separada desse meio. Ao contrário, ele é doutrinado para fazer uma absurda polarização entre o real (a ideologia da seita) e o irreal (qualquer coisa além)"

2. Manipulação Mística

Feita para produzir "espontaneidade planejada". Os seguidores criam misticismos sobre o grupo e seus objetivos - que é apresentado como a ultima verdade que veio de Deus, ou qualquer outro apelo. O grupo e os seus objetivos são vistos como mais importantes do que qualquer coisa. "qualquer pensamento ou ação que questione os ensinamentos é considerado como sendo estimulado por um mau propósito.

3. Demanda por purificação

O mundo é sabiamente dividido entre puros e impuros. Coisas puras são aquelas inclusas na política do grupo. Todas as impurezas devem ser eliminadas. "A mais importante crença é que a absoluta pureza é atingível, e qualquer coisa feita a alguém em nome dessa pureza é altamente moral". É claro, na verdade ninguém pode atingir absoluta pureza, nisto resulta vergonha e culpa. O grupo é onde você ganha "perdão" desta culpa. A culpa provém do contato com o mundo impuro, então a pessoa se afunda mais e mais dentro do grupo.

4. Culto de confissão

Confissão é um método usado para se livrar da impureza.

a. Você deve freqüentar a seita para purificação.

b. Você deve abrir a mente para a seita para se purificar.

c. Sua mente torna-se propriedade da seita

d. Confissão torna-se uma habilidade após um tempo.

e. Alguém pode aprender como manter segredos com o objetivo de ter alguma identidade. Mas isto leva a tensão e culpa. 
 

5. A "Ciência Sagrada"

A seita proclama ter absoluta precisão científica - não há dúvida que sua afirmação é verdadeira. Duvidar significa ser "anti-cientifico" ou maluco. Não há necessidade da busca pela verdade, e de fato tal busca é um desvio da verdade e a negação dela (qualquer um pode ver porque há tão pouca preocupação com a educação).

6. Incorporando a linguagem

"O mais estudado e complexo dos problemas humanos são as crenças, altamente restritivas, frases interiorizadas, facilmente memorizáveis e expressadas" (p.429).

Costuma marcar os membros do grupo - você "conhece o linguajar". 

7. Doutrinação pessoal

As histórias de uma pessoa são transformadas de acordo com a doutrina da seita. Todos têm que se adaptar aos dizeres da doutrina. Se a experiência de alguém contradiz a doutrina, uma elaboração racional irá explicar a discrepância e provar que a doutrina está certa e a experiência está errada.

Um excelente exemplo disto ocorreu em 1844. William Miller convenceu milhares de que Cristo voltaria no dia 22 outubro. Os crentes vestiram-se de roupas brancas e subiram colinas para esperar sua volta. Como Cristo não retornou, Miller admitiu que tinha errado, desculpou-se, e nunca profetizou novamente.

Mas Ellen G. White, uma seguidora de Miller, declarou que Cristo tinha realmente feito um grande ato - Ele tinha ido neste dia na biblioteca do céu para começar o julgamento sobre o destino dos mortos. A partir desta argumentação surgiu a Igreja Adventista do Sétimo Dia.

8. Dispensa da existência

Pessoas de fora são vistas como incompletas. Eles estão perdendo algum aspecto de suas vidas que os membros da seita têm. Então há esperança para os de fora se eles se juntarem a seita, a menos que elas já tenham participado e rejeitado a mensagem. A seita decide quem é uma pessoa real e quem não é.

"O totalitarismo ideológico... invoca emoções destrutivas, produz opressão intelectual e psicológica, e priva a pessoa de tudo o que é mais sublime e imaginativo - sob a falsa promessa de eliminar todas as nossas imperfeições as quais ajudam a definir a condição humana"


ANTÍDOTOS

1. Saiba quem você é e porque você é do jeito que você é. Você é único e poderia ser uma perda para você eliminar sua identidade em favor de um grupo que não encoraja você a formular questões profundas.

2. Veja em você um modelo. Deixe esta pessoa ser alguém que você conhece bem, respeita e admira. Esta pessoa irá ajudar você a atravessar os momentos difíceis e irá inspirar você durantes os bons momentos.

3. Saiba o que os cultos estão vendendo. Entenda estes assuntos antes que você tenha um dialogo com eles.

4. Esteja atento as pessoas que querem ser seus melhores amigos em seu primeiro encontro, quem quer que você compartilhe seus detalhes pessoais e individuais com ele, quando você nem bem o conhece nem ele a você.

5. Esteja atento aos grupos ou pessoas que subitamente separam você de seus amigos e família e substituem seu grupo familiar.

6. Todos nós temos coisas que não gostamos em nós mesmos. Isto nos faz mais vulneráveis porque as seitas são especialistas em identificar estes problemas e providenciar rápidas e fáceis respostas para eles.

7. Todos nós crescemos. Como parte disso nós tentamos nos livrar da autoridade de nossos pais. Alguns são mais rebeldes do que outros. Não deixe que este tempo seja um tempo onde você troca o controle de seus pais por um controle mais forte e mais exigente de uma seita que não irá lhe permitir autonomia e individualidade.

8. "Isto não irá acontecer comigo" são freqüentemente as ultimas palavras que alguém diz antes que isto aconteça. Quando suas defesas estão em baixa você está mais vulnerável do que o normal.

quarta-feira, 10 de abril de 2013

AS 95 TESES DE LUTERO


[Essas teses foram afixadas na porta da igreja do Castelo de Wittenberg a 1o de outubro de 1517. Era esse o modo usual de se anunciar uma disputa, instituição regular da vida universitária e não havia nada de dramático no ato. Lutero confiava receber o apoio do papa pelo fato de revelar os males do tráfico das indulgências.]

Uma disputa do Mestre Martinho Lutero, teólogo, para elucidação da virtude das indulgências.

Com um desejo ardente de trazer a verdade à luz, as seguintes teses serão defendidas em Wittenberg sob a presidência do Rev. Frei Martinho Lutero, Mestre de Artes, Mestre de Sagrada Teologia e Professor oficial da mesma. Ele, portanto, pede que todos os que não puderem estar presentes e disputar com ele verbalmente, o façam por escrito. Em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo. Amém.

1. Nosso Senhor e Mestre Jesus Cristo em dizendo "Arrependei-vos, etc.), afirmava que toda a vida dos fiéis deve ser um ato de arrependimento.

2. Essa declaração não pode ser entendida como o sacramento da penitência (i. e., confissão e absolvição) que é administrado pelo sacerdócio.

3. Contudo, não pretende falar unicamente de arrependimento interior; pelo contrário, o arrependimento interior é vão se não produz externamente diferentes espécies de mortificação da carne.

4. Assim, permanece a penitência enquanto permanece o ódio de si (i. e., verdadeira penitência interior), a saber, o caminho reto para entrar no reino dos céus.

5. O papa não tem o desejo nem o poder de perdoar quaisquer penas, exceto aquelas que ele impôs por sua própria vontade ou segundo a vontade dos cânones.

6. O papa não tem o poder de perdoar culpa a não ser declarando ou confirmando que ela foi perdoada por Deus; ou, certamente, perdoado os casos que lhe são reservados. Se ele deixasse de observar essas limitações a culpa permaneceria.

7. Deus não perdoa a culpa de ninguém sem sujeitá-lo à humilhação sob todos os aspectos perante o sacerdote, vigário de Deus.

8. Os cânones da penitência são impostas unicamente sobre os vivos e nada deveria ser imposta aos mortos segundo eles.

9. Por isto o Espírito Santo nos beneficia através do papa, mas sempre faz exceção de seus decretos no caso da iminência da morte e da necessidade.

10. Os sacerdotes que no caso de morte reservam penas canônicas para o purgatório agem ignorante e incorretamente.

11. Esta cizânia que se refere à mudança de penas canônicas em penas no purgatório certamente foi semeada enquanto os bispos dormiam.

12. As penitências canônicas eram impostas antigamente não depois da absolvição, mas antes dela, como prova de verdadeira contrição.

13. Os moribundos pagam todas as suas dívidas por meio de sua morte e já estão mortos para as leis dos cânones, estando livres de sua jurisdição.

14. Qualquer deficiência em saúde espiritual ou e amor por parte de um homem moribundo deve trazer consigo temor, e quanto maior for a deficiência maior deverá ser o temor.

15. Esse temor e esse terror bastam por si mesmos para produzir as penas do purgatório, sem qualquer outra coisa, pois estão pouco distante do terror do desespero.

16. Com efeito, a diferença entre Inferno, Purgatório e Céu parece ser a mesma que há entre desespero, quase-desespero e confiança.

17. Parece certo que para as almas do purgatório o amor cresce na proporção em que diminui o terror.

18. Não parece estar provado, quer por argumentos quer pelas Escrituras, que essas almas estão impedidas de ganhar méritos ou de aumentar o amor.

19. Nem parece estar provado que elas estão seguras e confiantes de sua bem-aventurança, ou, pelo menos, que todas o estejam, embora possamos estar seguros disso.

20. O papa pela remissão plenária de todas as penas não quer dizer a remissão de todas as penas em sentido absoluto, mas somente das que foram impostas por ele mesmo.

21. Por isto estão em erro os pregadores de indulgências que dizem ficar um homem livre de todas as penas mediante as indulgências do papa.

22. Pois para as almas do purgatório ele não perdoa penas a que estavam obrigadas a pagar nesta vida, segundo os cânones.

23. Se é possível conceder remissão completa das penas a alguém, é certo que somente pode ser concedida ao mais perfeito; isto quer dizer, a muito poucos.

24. Daí segue-se que a maior parte do povo está sendo enganada por essas promessas indiscriminadas e liberais de libertação das penas.

25. O mesmo poder sobre o purgatório que o papa possui em geral, é possuído pelo bispo e pároco de cada dioceses ou paróquia.

26. O papa faz bem em conceder remissão às almas não pelo poder das chaves (poder que ele não possui), mas através da intercessão.

27. Os que afirmam que uma alma voa diretamente para fora (do purgatório) quando uma moeda soa na caixa das coletas, estão pregando uma invenção humana (hominem praedicant).

28. É certo que quando uma moeda soa, cresce a ganância e a avareza; mas a intercessão (suffragium) da Igreja está unicamente na vontade de Deus.

29. Quem pode saber se todas as almas do purgatório desejam ser resgatadas? (Que se pense na história contada a respeito de São Severino e São Pascoal).

30. Ninguém está seguro na verdade de sua contrição; muito menos de que se seguirá a remissão plenária.

31. Um homem que verdadeiramente compra suas indulgências é tão raro como um verdadeiro penitente, isto é, muito raro.

32. Aqueles que se julgam seguros da salvação em razão de suas cartas de perdão serão condenados para sempre juntamente com seus mestres.

33. Devemos guardar-nos particularmente daqueles que afirmam que esses perdões do papa são o dom inestimável de Deus pelo qual o homem é reconciliado com Deus.

34. Porque essas concessões de perdão só se aplicam às penitências da satisfação sacramental que foram estabelecidas pelos homens.

35. Os que ensinam que a contrição não é necessária para obter redenção ou indulgência, estão pregando doutrinas incompatíveis com o cristão.

36. Qualquer cristão que está verdadeiramente contrito tem remissão plenária tanto da pena como da culpa, que são suas dívidas, mesmo sem uma carta de perdão.

37. Qualquer cristão verdadeiro, vivo ou morto, participa de todos os benefícios de Cristo e da Igreja, que são dons de Deus, mesmo sem cartas de perdão.

38. Contudo, o perdão distribuído pelo papa não deve ser desprezado, pois – como disse – é uma declaração da remissão divina.

39. É muito difícil, mesmo para os teólogos mais sábios, dar ênfase na pregação pública simultaneamente ao benefício representado pelos indulgências e à necessidade da verdadeira contrição.

40. Verdadeira contrição exige penitência e a aceita com amor; mas o benefício das indulgências relaxa a penitência e produz ódio a ela. Tal é pelo menos sua tendência.

41. Os perdões apostólicos devem ser pregados com cuidado para que o povo não suponha que eles são mais importantes que outros atos de amor.

42. Deve ensinar-se aos cristãos que não é intenção do papa que se considera a compra dos perdões em pé de igualdade com as obras de misericórdia.

43. Deve ensinar-se aos cristãos que dar aos pobres ou emprestar aos necessitados é melhor obra que comprar perdões.

44. Por causa das obras do amor o amor é aumentado e o homem progride no bem; enquanto que pelos perdões não há progresso na bondade mas simplesmente maior liberdade de penas.

45. Deve ensinar-se aos cristãos que um homem que vê um irmão em necessidade e passa a seu lado para dar o seu dinheiro na compra dos perdões, merece não a indulgência do papa, mas a indignação de Deus.

46. Deve ensinar-se aos cristãos que – a não ser que haja grande abundância de bens – são obrigados a guardar o que é necessário para seus próprios lares e de modo algum
gastar seus bens na compra de perdões.

47. Deve ensinar-se aos cristãos que a compra de perdões é matéria de livre escolha e não de
mandamento.

48. Deve ensinar-se aos cristãos que, ao conceder perdões, o papa tem mais desejo (como tem mais necessidade) de oração devota em seu favor do que de dinheiro contado.

49. Deve ensinar-se aos cristãos que os perdões do papa são úteis se não se põe confiança neles, mas que são enormemente prejudiciais quando por causa deles se perde o temor de Deus.

50. Deve ensinar-se aos cristãos que, se o papa conhecesse as exações praticadas pelos pregadores de indulgências, ele preferiria que a basílica de São Pedro fosse reduzida a cinzas a construí-la com a pele, a carne e os ossos de suas ovelhas.

51. Deve ensinar-se aos cristãos que o papa – como é de seu dever – desejaria dar os seus próprios bens aos pobres homens de quem certos vendedores de perdões extorquem o dinheiro; que para este fim ele venderia – se fosse possível – a basílica de São Pedro.

52. Confiança na salvação por causa de cartas de perdões é vã, mesmo que o comissário, e até mesmo o próprio papa, empenhasse sua alma como garantia.

53. São inimigos de Cristo e do povo os que em razão da pregação das indulgências exigiam que a palavra de Deus seja silenciada em outras igrejas.

54. Comete-se uma injustiça para com a palavra de Deus se no mesmo sermão se concede tempo igual, ou mais longo, às indulgências do que a palavra de Deus.

55. A intenção do papa deve ser esta: se a concessão dos perdões – que é matéria de pouca importância – é celebrada pelo toque de um sino, como uma procissão e com uma cerimônia, então o Evangelho – que é a coisa mais importante – deve ser pregado com o acompanhamento de cem sinos, de cem procissões e de cem cerimônias.

56. Os tesouros da Igreja – de onde o papa tira as indulgências – não estão suficientemente esclarecidos nem conhecidos entre o povo de Cristo.

57. É pelo menos claro que não são tesouros temporais, porque não estão amplamente espalhados mas somente colecionados pelos numerosos vendedores de indulgências.

58. Nem são os méritos de Cristo ou dos santos, porque esses, sem o auxílio do papa, operam a graça do homem interior e a crucificação, morte e descida ao inferno do homem exterior.

59. São Lourenço disse que os pobres são os tesouros da Igreja, mas falando assim estava usando a linguagem de seu tempo.

60. Sem violências dizemos que as chaves da Igreja, dadas por mérito de Cristo, são esses tesouros.

61. Porque é claro que para a remissão das penas e a absolvição de casos (especiais) é suficiente o poder do papa.

62. O verdadeiro tesouro da Igreja é o sacrossanto Evangelho da glória e da graça de Deus.

63. Mas este é merecidamente o mais odiado, visto que torna o primeiro último.

64. Por outro lado, os tesouros das indulgências são merecidamente muito populares, visto que fazem do último primeiro

65. Assim os tesouros do Evangelho são redes com que desde a Antigüidade se pescam homens de bens.

66. Os tesouros das indulgências são redes com que agora se pescam os bens dos homens.

67. As indulgências, conforme declarações dos que as pregam, são as maiores graças; mas "maiores" se deve entender como rendas que produzem.

68. Com efeito, são de pequeno valor quando comparadas com a graça de Deus e a piedade da cruz.

69. Bispos e párocos são obrigados a admitir os comissários dos perdões apostólicos com toda a reverência.

70. Mas estão mais obrigados a aplicar seus olhos e ouvidos à tarefa de tornar seguro que não pregam as invenções de sua própria imaginação em vez de comissão do papa.

71. Se qualquer um falar contra a verdade dos perdões apostólicos que sejam anátema e amaldiçoado.

72. Mas bem-aventurado é aquele que luta contra a dissoluta e desordenada pregação dos vencedores de perdões.

73. Assim como o papa justamente investe contra aqueles que de qualquer modo agem em detrimento do negócio dos perdões.

74. Tanto mais é sua intenção investir contra aqueles que, sob o pretexto dos perdões, agem em detrimento do santo amor e verdade.

75. Afirmar que os perdões papais têm tanto poder que podem absolver mesmo um homem que – para aduzir uma coisa impossível – tivesse violado a mão de Deus, é delirar como um lunático.

76. Dizemos ao contrário, que os perdões papais não podem tirar o menor dos pecados veniais no que tange à culpa.

77. Dizer que nem mesmo São Pedro e o papa, não podia dar graças maiores, é uma blasfêmia contra São Pedro e o papa.

78. Dizemos contra isto que qualquer papa, mesmo São Pedro, tem maiores graças que essas, a saber, o Evangelho, as virtudes, as graças da administração (ou da cura), etc. como em 1 Co 12.

79. É blasfêmia dizer que a cruz adornada com as armas papais tem os mesmos efeitos que a cruz de Cristo.

80. Bispos, párocos e teólogos que permitem que tal doutrina seja pregada ao povo deverão prestar contas.

81. Essa licenciosa pregação dos perdões torna difícil, mesmo a pessoas estudadas, defender a honra do papa contra a calúnia, ou pelo menos contra as perguntas capciosas dos leigos.

82. Esses perguntam: Por que o papa não esvazia o purgatório por um santíssimo ato de amor e das grandes necessidades das almas; isto não seria a mais justa das causas visto que ele resgata um número infinito de almas por causa do sórdido dinheiro dado para a edificação de uma basílica que é uma causa bem trivial?

83. Por que continuam os réquiens e os aniversários dos defuntos e ele não restitui os benefícios feitos em seu favor, ou deixa que sejam restituídos, visto que é coisa errada orar pelos redimidos?

84. Que misericórdia de Deus e do papa é essa de conceder a uma pessoa ímpia e hostil a certeza, por pagamento de dinheiro, de uma alma pia em amizade com Deus, enquanto não resgata por amor espontâneo uma alma que é pia e amada, estando ela em necessidade?

85. Os cânones penitenciais foram revogados de há muito e estão mortos de fato e por desuso. Por que então ainda se concedem dispensas deles por meio de indulgências em troca de dinheiro, como se ainda estivesse em plena força?

86. As riquezas do papa hoje em dia excedem muito às dos mais ricos Crassos; não pode ele então construir uma basílica de São Pedro com seu próprio dinheiro, em vez de fazê-lo com o dinheiro dos fiéis?

87. O que o papa perdoa ou dispensa àqueles que pela perfeita contradição têm direito à remissão e dispensa plenária?

88. Não receberia a Igreja um bem muito maior se o papa fizesse cem vezes por dia o que agora faz uma única vez, isto é, distribuir essas remissões e dispensas a cada um dos fiéis?

89. Se o papa busca pelos seus perdões antes a salvação das almas do que dinheiro, por que suspende ele cartas e perdões anteriormente concedidos, visto que são igualmente eficazes?

90. Abafar esses estudos argumentos dos fiéis apelando simplesmente para a autoridade papal em vez de esclarecê-los mediante uma resposta racional, é expor a Igreja e o papa ao ridículo dos inimigos e tornar os cristãos infelizes.

91. Se os perdões fossem pregados segundo o espírito e a intenção do papa seria fácil resolver todas essas questões; antes, nem surgiriam.

92. Portanto, que se retirem todos os profetas que dizem ao povo de Cristo: "paz, paz", e não há paz.

93. E adeus a todos os profetas que dizem ao povo de Cristo: "a cruz, a cruz", e não há cruz.

94. Os cristãos devem ser exortados a esforçar-se em seguir a Cristo, sua cabeça, através de sofrimentos, mortes e infernos.

95. E que eles confiem entrar no céu antes passando por muitas tribulações do que por meio da confiança da paz.

                                  -o0o-


Este documento contendo as 95 teses foi logo traduzidas para o alemão e amplamente copiadas e impressas. Ao cabo de duas semanas se haviam espalhado por toda a Alemanha e, em dois meses, por toda a Europa. Este foi o primeiro episódio da História em que a imprensa teve papel fundamental, pois facilitou a distribuição simples e ampla do documento.


REFORMA LUTERANA O IDEÁRIO LUTERANO

Estas 95 teses encontraram dois tipos de reação: a excitação dos nobres, que viam no ataque à Igreja uma possibilidade de avançar sobre as terras católicas, e a indignação de Roma que em represália acabou decretando a excomunhão de Marinho Lutero, o exmonge uma atitude audaciosa queimaria a bula papal em público.

Estava declarada a guerra contra a sua antiga fé. Uma série de encontros ocorreria entre Lutero e seus discípulos e a Igreja Católica (Dieta de Worms: Dieta de Augsburgo), onde o reformador apadrinhado pelos príncipes do Sacro-império defenderia a criação de uma nova igreja (chamada pelos católicos de protestante) e a elaboração de uma nova interpretação da doutrina crista. Veja alguns pontos deste doutrina:

A) - A LIVRE INTERPRETAÇÃO DA BÍBLIA:
Um dos aspectos mais importantes a serem notados no ideário luterano seria a convicção de que as sagradas escrituras eram a única fonte de verdade cristã. Os livros que compõem a Bíblia foram originalmente escritos em aramaico e grego, àquela altura os textos eram lidos em latim (idioma dominado praticamente pela Igreja Católica apenas) o que garantia que a interpretação de seu conteúdo fosse um privilégio dos elencos. Martinho Lutero discordava desta condição, pregava que a cada cristão estava reservado o direito de ter a sua interpretação individual dos evangelhos, para tanto traduziu a Bíblia para o alemão, ato considerado herético por Roma.

B) A TEORIA DE SALVAÇÃO:
A Igreja Católica era defensora de que os bons homens se salvam por suas obras, caracterizando a teoria do “livre arbítrio” segundo a qual Deus deu aos homens a faculdade de escolher entre o caminho do bem e do mal, este pensamento foi criticado por Martinho Lutero que o contrapôs com a defesa da “predestinação”, onde todos os homens já tinham sua salvação garantida ou a danação decretada no ato da criação. Os luteranos acreditariam na “salvação pela fé”, uma vez que a manifestação de uma vida regrada seguidora dos ensinamentos bíblicos seria o maior indicio da “escolha divina”.


C) A CONFISSÃO DE AUGSBURGO (1530):
Algumas das transformações propostas por Martinho Lutero estão resumidas neste documento, redigido por seu seguidor Felipe Melanchton, a seguir iremos resumir alguns dos principais elementos:

• Negação da autoridade e da infalibilidade papal.
• A Abolição do celibato sacerdotal.

• Abolição do culto dos santos e da Virgem.