quarta-feira, 1 de maio de 2013

FÉ, UMA PERSUASÃO ÍNTIMA INERENTE A RELIGIÃO CRISTÃ.





Fé (do grego: pistia e do latim: Fides)

É a firme convicção de que algo seja verdade, sem nenhuma prova de que este algo seja verdade, pela absoluta confiança que depositamos neste algo ou alguém.

 "Fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não vêem". Definição encontrada no Evangelho de Cristo na carta do Apóstolo Paulo aos Hebreus, capítulo 11, versículo 1.

Com muita frequência se afirma que a fé dá provas, ou que a própria fé é uma prova. Mas ter fé é somente uma atitude, interna e pessoal como todas as atitudes. Ela nada nos diz sobre a realidade externa ao indivíduo. Se eu tiver fé que o Papai Noel existe, isso mostra que ele existe ou que eu me recuso obstinadamente a aceitar sua inexistência?

A fé não dá respostas, ela apenas impede as perguntas.

"Ter fé" é apenas uma expressão bonita para o que significa apenas e tão-somente desligar-se da realidade. E as próprias pessoas de fé reconhecem que ela não prova nada quando são confrontadas com fés diferentes dentro do próprio Cristianismo.

Eu acredito em muitas coisas, mas não tenho fé em nada do que acredito. Pois isso me permite ser questionado no que acredito e mudar de idéia quando se prova que estou errado. Quem tem fé não tem liberdade para fazer isso.

Acreditar é dar crédito, é ter como verdadeiro.
Fé é crer naquilo que não se pode comprovar, é uma crença não baseada em provas, é uma confiança depositada por alguém na mente de outrém. Não pode ser negada, não pode ser testada, não pode ser experimentada e finalmente aquilo que não tem lógica.

Tem fé quem acredita naquilo que não se pode provar. Ex. Jesus e sua ressurreição, Allan Kardec e sua Reencarnação, E não há, por sua vez, necessidade de fé para o Judaísmo, Islamismo, Budismo. Não existe a palavra “fé” na Bíblia dos Judeus. Não se exige fé para acreditar que Allah é o único Deus e que o Profeta Muhammad é o seu mensageiro, basta a declaração publica. Da mesma forma, para que a Lei da Gravidade seja observada e testada não há necessidade de fé.

Ateísmo não é doutrina e portanto não tem como alimentar um fé religiosa cristã. A fé para nós, é uma coisa ridícula. Nós acreditamos em determinados fatos, o que é diferente de ter fé. Fé não se questiona. É para os Cristãos uma verdade absoluta, imutável, eterna e intangível humanamente. A nossa verdade é relativa, temporária, mutável e através dela nos pautamos.

A maior ameaça cristã é contra os que não crêem. Qualquer crime pode ser perdoado menos a falta de fé. Justamente porque sabem o quanto é difícil crer em ilusões. É o elo fraco do Cristianismo acreditar em coisas das quais não há qualquer evidência.

Um cientista que faz uma descoberta sente prazer em mostrar como descobriu. Ele não se ofende se alguém pergunta, muito pelo contrário. Para o Cristão cada pergunta, cada dúvida, é uma ofensa. É uma ofensa porque um mágico não revela como chegou ao resultado simplesmente porque o resultado é uma ilusão.

Nem mesmo a ciência vive sem fé. Disse-me certa vez um amigo. Ilusão treda.

De forma alguma passar a acreditar nas teorias científicas não é da mesma cepa do que a crença Cristã.

Primeiramente, a crença do cientista é pragmática e não dogmática como na religião Cristã. Ou seja, o cientista passou a acreditar em seres invisíveis depois de inventar as lentes (microscópio), ao passo que os cristãos acreditam em qualquer coisa que se lhes digam se for convenientemente coagido a acreditar, do tipo "se não tiver fé vai pro inferno" a começar pelo ostracismo social do grupo...

Crer sem ver, é coisa que se pode fazer de várias maneiras. Uma é utilizar a razão e a lógica para inferir aquilo que ainda não se conhece. Outra é ser escravo de uma fé cega em dogmas mentirosos, inventados por grupos e instituições religiosos, com seus interesses escusos, enfiando nas mentes fracas os seus tabus, lendas, superstições e preconceitos.

Fé não é, nem nunca foi ato de vontade livre. Todo mundo nasce sem acreditar em Deuses, a sociedade em que o indivíduo nasce, é quem vai determinar o seu papel na sociedade, há uma grande influência do meio social, no espaço e no tempo.
Ninguém nasce com fé em Deus, Jesus, Buda, Marduck, Júpiter e outros 70.000 deuses catalogados no planeta Terra.

Trocando em miúdos, você não seria cristão se tivesse nascido aqui na Paraíba, no ano de 1320,  seria católico se tivesse nascido na Espanha em 1450, ou protestante, se tivesse nascido em Genebra em 1536, Budista se tivesse nascido no sopé do monte Gephel, etc.

A imposição da fé cristã começa mesmo antes da criança nascer, já se fala em batizado, qual o nome que vai dar a criança, etc.

Com o nascimento a criança se vê em volta de orações, de santos, de igrejas, e logo se vê obrigada a ir a igreja. É um absurdo o que se faz com as crianças. Se protestante vai logo cedo para uma escola dominical aprender que existem demônios e infernos que os castigam por toda a eternidade, isso é um abuso mental, o que levam essas pobres crianças indefesas ainda com e cérebro em formação a terem pesadelos durante a noite e traumas por toda a vida.

Essa dominação pela mente é a arma mais perigosa dos últimos tempos, a América, a Inglaterra, a Espanha, e o Japão mostraram-se totalmente impotentes diante da ameaça religiosa.

Se podemos definir de modo mais claro a palavra ' fé' dentro do contexto cristão, definiríamos da seguinte forma: "Fé é acreditar naquilo que o Novo Testamento declara, independentemente daquilo que vemos, ou ouvimos. Em outras palavras... Fé é acreditar que Jesus cumprirá aquilo que prometeu".

Pode-se até argumentar que eu tenho fé na teoria do Big-Bang mas não tenho, eu vejo essa teoria com certa desconfiança, porque nasci em 1948, se eu tivesse nascido em 1456, na Polônia, teria a mesma desconfiança na Teoria Heliocêntrica, que para os conhecimentos daquela época, era uma verdade.

Um bom exemplo de fé cristã é acreditar que morcego é ave, apenas porque está escrito na Bíblia, que é imutável, ou ainda que a semente de mostarda é a menor do mundo e tem que morrer para poder germinar, apenas porque alguém disse, que Jesus, o filho de Deus teria dito. Tudo iluminado pelo Espírito Santo.

"A função da fé é lhe permitir acreditar naquilo que sua inteligência rejeita."

 A fé é, intrinsecamente, um elemento que, em vez de unir, divide. A única coisa que leva os seres humanos a cooperar uns com os outros de modo desprendido é nossa prontidão para termos nossas crenças e comportamentos modificados pela via do diálogo. A fé interdita o diálogo, faz com que as crenças de uma pessoa se tornem impermeáveis a novos argumentos, novas evidências. A fé até pode ser benigna no nível pessoal. Mas, no plano coletivo, quando se trata de governos capazes de fazer guerras ou desenvolver políticas públicas, a fé é um desastre absoluto.

Essa é a diferença básica entre a crença na Ciência e a fé na Religião Católica.

Por fim, não concordo com muita coisa publicada por Olavo de Carvalho, mas neste ponto, tiro o chapéu para ele.

Vejamos:


3 comentários:

  1. POR VANT TRIBO

    Pois sim, Homero.
    Endosso também esta distinção dos conceitos. São duas abordagens irreconciliáveis.
    Hoje em dia com uma forçosa relativização de quase tudo (ou tudo) no âmbito da linguagem e dos conceitos, as pessoas tentam flexibilizar questões semânticas e significados tendo em vista e intencionalmente o esvaziamento de sentidos nas dialéticas dos debates públicos na área de religião, política e até ciências.
    Não consigo aceitar algo que até se torna consensual, vejo nisso grandes perigos.
    Se isso lograr êxito teremos uma neutralidade insípida em todos os campos e todas as coisas terão o mesmo valor, tudo poderá ou não ser verdadeiro, o que esgotaria o debate, qualquer debate, pois ninguém teria razão, ou todos teriam.
    Hoje, algumas definições clássicas são vilipendiadas em nome da validação de algumas "verdades" e sob uma pretensa tolerância, reutilizadas para emprestar sentido racional àquilo que outrora era considerado irracional ou metafísico.
    Bem, teremos que aprofundar mesmo na questão da Linguagem e compreender a nova sistemática destes discursos e mostrar aonde estão as armadilhas e suas mentiras.
    Abraços.



    Vant

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  2. POR EDUARDO OLIVEIRA
    .
    Caro Homero,


    Gostei do texto, mas permita-me provocar um pouco...Você parece ter focado nos aspectos negativos da fé enquanto aspecto dogmático, que poda a dúvida inquisitiva e curiosa...Mas o que dizer da fé enquanto expectativa/esperança? A fé de um paciente com câncer no seu tratamento médico, ou a fé de uma mãe que o filho desaparecido retorne? Acredito que a fé não é necessariamente restrita à esfera da religião...e ter fé, em muitos casos me parece uma atitude positiva....ou estou falando apenas bobagens?


    Abc,


    Eduardo

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    1. POR VANT TRIBO
      .
      Eduardo,
      Ainda assim são coisas distintas, ter fé e usar da razão.
      A fé pode assumir estes aspectos positivos que fala (desde que sim, o câncer seja atenuado ou curado, ou o filho realmente volte), mas que dizer se os fatos apontarem para outra direção?
      De que adiantou ter fé quando na sequência temos aspectos trágicos na vida de algumas pessoas? A fé teria um efeito paliativo e até tranquilizador, mas não diz nada sobre a realidade.
      Não que devamos negar a esperança, mas que saibamos que possa ser também uma mera esperança, mesmo que continuemos lutando, para as possibilidades negativas de apenas assumir esta forma de proceder e interpretar as coisas ao nosso favor enquanto as mesmas estão contra nós.
      Também não sei se Fé poderia ser comparada com a esperança, pois fé historicamente está restrita a crença na proteção divina e na providência, e ter esperança e expectativa não necessariamente se restringem a acreditar em Deus ou que ele velará pelas pessoas.
      Se temos que clarear as coisas, que palavras então se usaria para distinção conceitual entre fé, crença, conceito, conhecimento e razão?
      Vamos aprofundar tais questões?


      Vant

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