segunda-feira, 8 de abril de 2013

A PAPISA JOANA



 
JOANA PAPISA 

Vide, também este nome – seu verdadeiro nome: Gilberta (Nome de batismo). E seu apelido: - Anglica – por ter nascido na Inglaterra. Vários livros – e todos Católicos – tratam da vida desta mulher. Papisa Joana, que nos idos de 848 chegou ao altíssimo e supremo cargo de Suma Pontífice da Igreja Romana.



Era inteligentíssima menina inglesa. Fugiu de casa, travestida de homem (vide “Papisa Joana”, edição Católica devidamente autorizada pela antiga e exigentíssima Cúria Romana, de autoria do Monge Wernero Besllevinsh, contemporâneo da Papisa, no seu livro: - “Fasciculus Temporum Aetatis”, do ano de 850 – V. VI, existente em todas as bibliotecas do mundo – e em algumas livrarias). Aqui, pois, neste verbete, não há – nem poderia haver – sectarismo religioso. Há na verdade: - o fato – relatado por vários autores e numerosos livros – e todos católicos, e anteriores a 1555, data em que o Papa proibiu que tais livros fossem disseminados.



A Papisa Joana chegou às púrpuras cardinalísticas no ano de 848. De Cardial passou a Papa – apesar de ser mulher. E, assim, como Sumo Pontífice, reinou durante 2 anos, 5 meses e 4 dias, do primeiro milênio da nossa época. Repetimos: ano 848, e 2 anos, 5 meses e 4 dias, de duração de seu pontificado.

HISTÓRICO

As mulheres, àquele tempo, eram consideradas “coisas”, eram escravas por assim dizer. Não podiam sequer frequentar escolas, o que, aliás, chegou o nossos dias, até ao século findo, século XIX, pois somente agora no século XX, a mulher virou quase homem, e até já vestem calças... Assim, pois a futura Papisa Joana, não podendo aos 15 anos, frequentar escolas públicas, e o pouco que sabia aprendeu em casa, resolveu, travestida de homem, fugir para a Grécia – e, ali, onde ninguém a conhecia como tal (mulher) e, sim, como rapaz, vestida que estava de homem, afinal, era “homem” e com o nome de João (embora, como acima ficou dito, seu verdadeiro nome fosse Gilberta) encontrou, certo dia, nas ruas de Atenas, um frade pedindo esmolas para o seu convento. O nome do frade era Frumêncio.



A mulher-homem, a futura papisa Joana, simpatizou-se com o também jovem frade Frumêncio, fez-se amigo dele e convidou-o a deixar seu claustro.



O convento de Frumêncio era chamado “Convento de Fula”. Aquiescendo, o frade, foram ambos, já amancebados morar juntos, e logo a futura papisa lhe foi dizendo que estava vestida de calças mas era mulher e não homem! Ambos jovens, fortes e vigorosos... assim conviveram algum tempo.



Frumêncio, porém, ao que se crê, já cheio de suas luxúrias, foi a Roma pedir perdão ao Papa a fim de – só assim – poder voltar para um outro Convento. Enquanto isso, “João” – a futura papisa – já suficientemente enfronhada (por Frumêncio) dos segredos dos Conventos – dos modus faciendi para as internações, não teve nenhuma dificuldade em se fazer frade do Convento de São Martinho, mais conhecido por Mosteiro. Daí, após longos estudos, saiu “frade” para correr mundo... Depois de longa peregrinação pela Itália, acabou (dado seus altos dotes intelectuais) auxiliar o Papa Leão IV, e, ao fim de longos anos, seu “secretário” de confiança. Com a morte deste Papa, ele mesmo, o Papa, antes de morrer, indicou para seu substituto o seu “Secretário” – embora, como era de praxe, a homologação tivesse de ser feita – como foi – pelo Clero, Nobreza e Povo.



Foi eleito Papa como o nome de João VIII. Fez ser secretário um Cardeal – Cardeal Floro. Mas certo dia... (Ah! a carne é fraca) – viu-se na contingência de lhe dizer (ao secretário) que era mulher!



Estarrecido, o Secretário quase desmaiou de pânico pelo imprevisto da revelação e pela surpresa!... o que não o impediu, todavia, de muito logo conviver com a Papisa. Mas num dia de calamidade pública (2 anos, 5 meses e 4 dias depois de sua ascensão) em que “várias pestes assolavam Roma”, além de uma “nuvem de gafanhotos”, Roma inteira conclamava a presença do Papa para fazer milagre, e sair à rua a fim de pedir a Deus clemência para a cessação da calamidade.



Mas a Papisa estava grávida de 8 meses para 9 e, por isso, estava refugiada na quinta papal, no alto sertão. Coagida, todavia, pelo Clero e pelos Embaixadores, teve que sair de seus esconderijos, da casa de campo, e vir à rua, a cavalo, pois, ao tempo, não havia a “Cadeira Gestatória.” Foi quando teve a dor do parto nas imediações da Igreja de São Clemente (junto ao marco de Nero) e ali mesmo teve a criança morrendo, ambos, no meio da praça!



É tudo da história romana, autêntica, em livros dos cardeais que assistiram ao parto, livros em latim, e não lendas. Está nos livros! Mas o povo fanático, ontem como hoje, dizia que, com a graça de Deus, “o papa virou mulher” e, assim, “era mais um milagre de Deus”... E erigiram, de logo no local uma estátua para mãe e filho! (A estátua era ela com o filho ao colo nos braços...) Por estranho que pareça, tal estátua durou 7 séculos, e perpetuou a “glória dessa mulher” 700 anos!



Ali esteve a estátua, até que... já no ano de 1568 (quando o Brasil comemorava seus 68 anos) o Papa Pio V, que então reinava no Vaticano, inteligentemente mandou arrancar tudo (estátua e seus dizeres).



Da Papisa Joana ainda existe um busto comemorativo de seu pontificado feminino, mas não em Roma, e, sim, em Toscana, Itália, na catedral de Siene. Dito busto está entre os Papas Benedito III e Leão IV.



Vasta é a bibliografia a respeito para quem quiser ler. A cadeira giratória com um orifício do centro para se ver, de fato, apalpado por cardeais no ato da posse, se, depois, da Papisa Joana outras mulheres se inculcariam “papa” – esta cadeira é público e notória está ainda, no Museu do Vaticano, e é de conhecimento bibliográfico universal. E está no seu Museu (da Santa Sé) em Roma, para quem quiser ver.



Mas, convenhamos, àquela época tudo isso era cediço, comum, mercê de uma ignorância geral, não há, pois, neste evento, nenhum desdouro para a atual Religião Católica.



A Igreja – no caso a Cúria Romana – nega peremptoriamente a existência da Papisa Joana – atribuindo essa lenda a uma perfídia dos Protestantes. E, quanto a estátua de uma mulher com um filhinho no colo, precisamente no local onde Joana teria tido a sua criança, a Cura diz que “era uma estátua de uma divindade pagã com uma criança no colo, e que um papa mandou jogar no Tibre.”



E, quanto a existência de uma cadeira furada (de mármore) na Basílica de São João Latrão, que depois passou para o Museu, “era proveniente, das Termas”.



Nada temos a opor a estas assertivas. Cumpre-nos apenas registrar que a religião Católica nega. Mas só nega agora, há 50 anos para cá. Entretanto o busto da Papisa Joana está na Catedral de Sienne; onde ainda agora, em 1923, vimos Joana Papisa em bronze entre os bustos de Leão IV e Benedito III.



Fonte

PEQUENO DICIONÁRIO HISTÓRICO E ELUCIDATIVO DE ASSUNTOS POUCOS VULGARES.

Autor – Desembargqador Alfredo de Castro Silveira
Rua Djalma Ulrich, 271 – Apto. 503
Copacabana – Guanabara.


Sobre o primeiro esboço deste Pequeno Dicionário escreveu Brito Broca no “Correio da Manhã” e no “Município” de Guaratinguetá, o seguinte:

“O Autor deste Pequeno Dicionário contou com tão poucos colaboradores no seu trabalho, que, sem favor, pode ser ele considerado (neste particular) o mais notável feito por um só homem. E, como já dissemos em crônica anterior, de 10 de setembro de 1960, - tê-lo compondo centenas de verbetes que integram o livro, sempre claros e explícitos na sinonímia. – Enfim, uma tarefa exaustiva e meritória, da qual se desobrigou com maestria.”

Nota do Editor
Brito Broca, autor da “Vida Literária de 1900”, foi um dos críticos mais imparciais e o publicista mais notável da imprensa carioca e paulista destes últimos trinta anos.






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