domingo, 5 de maio de 2013

SE DEUS NÃO EXISTE TUDO É PERMITIDO


Faz quase um século e meio que o famoso escritor russo Dostoievski proferiu a famosa frase em “Os Irmãos Karamazov”: Se Deus não existe tudo é permitido. Muitos religiosos expressam com essa frase a idéia de que sem a crença em algo divino os homens não teriam um limite, nenhuma razão para fazer o bem, viveríamos em uma espécie de vale-tudo moral.

O filósofo Oswaldo Giacoia Júnior, da Unicamp. "A busca de um código de valores sempre foi uma preocupação central da filosofia, sem necessidade de uma legitimação divina." No século XVIII, por exemplo, os ideais de igualdade e justiça social, aceitos hoje como uma preocupação ética, surgiram de formulações dos filósofos iluministas – que acreditavam ser possível defendê-los com base na razão, não na religião (na época, esse tema não era nada popular no Vaticano).

Em meados do século XX, o francês Jean Paul Sartre, o pai do existencialismo – segundo o qual de nada adianta buscar um propósito da existência para além da vida humana –, disse que a nossa própria condição de seres que vivem em sociedade é suficiente para justificar a prática de valores solidários. E ainda hoje filósofos como o vienense Peter Singer (um dos mais ferrenhos defensores dos direitos dos animais) continuam defendendo uma série de condutas éticas baseadas na razão, não na fé. Mas será que a adoção pura e simples de uma ética sem Deus não pode nos levar a um racionalismo frio, capaz de ofuscar valores menos palpáveis, como a bondade?

"A fé não se traduziu apenas em atos de paz e harmonia ao longo dos tempos", lembra Giacoia. "Dos grandes conflitos religiosos do passado ao moderno terrorismo fundamentalista, já foram cometidas inúmeras atrocidades em nome da ética religiosa em todo o mundo."

Segundo o sociólogo norte-americano Phil Zuckerman isso é efetivamente possível. De acordo com uma pesquisa que ele realizou e publicou em seu livro "Society Without God – What the Least Religious Nations Can Tell Us About Contentment" [Sociedade sem Deus – O que as nações menos religiosas podem nos dizer a respeito da satisfação], os países menos religiosos do mundo são os mais justos, mais éticos, possuem forte economia, baixa taxa de criminalidade, os mais altos índices de qualidade de vida, altos padrões de vida e igualdade social.

Ao contrário, os países mais religiosos são aqueles com maior desigualdade, criminalidade, corrupção, injustiça e outras pragas sociais, como Brasil.

Com essa pesquisa ele provou que é errada a crença dos norte-americanos e de outras pessoas (como Datena em São Paulo e Samuka Duarte na Paraíba) de que um país sem Deus inevitavelmente cairia na criminalidade, na imoralidade e na degeneração.



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