segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

CONVERSANDO COM A MÃE D'ÁGUA (*)






Certa vez um homem entra num hospital psiquiátrico e vê um dos pacientes ajoelhado no meio de um grande gramado de mãos postas olhando sorridente para o céu. O homem aproxima-se do paciente e pergunta:


- O que você faz aqui ajoelhado?

- Converso com a mãe d’água, responde o paciente.


- Mas a mãe d’água não existe, responde o homem.


- Claro que existe, ela tá olhando pra você agora. Ela só aparece para quem acredita.


É possível afirmar com 100% de certeza, que o paciente está errado?

Tanto as histórias acima como a historinha do cego são sofismas.

Somos conduzidos a uma conclusão errada partido de uma premissa verdadeira.


Nenhum cego duvida da existência da luz, pois as provas da sua existência são mais amplas e variadas que só a simples percepção por intermédio da vista. O cego anda entre pessoas que enxergam, é conduzido por pessoas ou animais, sente o calor do sol, interage com animais e outros efeitos da luz como a noite, o silêncio, o galo que canta quando o dia vem raiando ou o barulho das pessoas durante o dia, etc., etc., etc..

Mas qual seria a prova da existência da tal mãe d’água do paciente do hospício?


Nenhuma, a não ser a fé doentia do pobre paciente.



 (*)“Mãe-d’água” Iara ou Uiara, é uma entidade do folclore brasileiro de uma beleza fascinante. Por ser uma sereia, enfeitiça os homens facilmente por ter a metade superior de seu corpo com formato de uma linda e sedutora mulher. Já a parte inferior do seu corpo em formato de peixe não é muito notada, por estar submersa em água. Assim não há quem resista a sua belíssima face e suas doces canções mágicas.

Seu poder é tão forte que basta convidar os homens para irem à sua direção que eles vão, acreditando vivenciar uma experiência incrível com a encantadora mulher. Porém, as intenções de Iara são malignas e fatais, e o que ela quer na verdade é atraí-los para a morte. São raros os que sobrevivem ao encantamento da sereia e caso retornam não conseguem ter uma vida normal por ficarem loucos. Somente um pajé ou uma benzedeira é capaz de curá-los definitivamente.

Diz a lenda que antes de se tornar uma sereia, Iara era uma belíssima índia trabalhadora e corajosa. Iara se destacava entre os demais, por ser a melhor, e consequentemente despertava a inveja de alguns da tribo, especialmente a de seus irmãos homens, que não se conformavam com tal situação. Seu pai era pajé e a admirava em tudo o que fazia contribuindo ainda mais para a revolta de seus irmãos. Tomados pela inveja e pelo ciúme, os irmãos de Iara decidiram matá-la.

Certa noite, quando Iara repousava em sua rede, ouviu seus irmãos entrando em sua cabana com a intenção de matá-la. Rápida e guerreira, se defendeu e acabou os matando. Percebendo a gravidade da situação e com medo da atitude de seu pai, Iara fugiu desesperadamente pelas matas. O pai de Iara realizou uma busca implacável pela filha. Localizaram-na, e como punição pelo seu ato, foi jogada no encontro do rio Negro com Solimões. Os peixes trouxeram o corpo de Iara à superfície que sob o reflexo da lua cheia transformou-se em uma linda sereia com cabelos longos e olhos verdes.

Desde então Iara permanece nas águas atraindo os homens de maneira irresistível e os matando. Acredita-se que em cada fase da lua, Iara aparece com escamas diferentes e adora deitar-se sobre bancos de areia nos rios para brincar com os peixes. Também de acordo com a lenda, é vista penteando seus longos cabelos com um pente de ouro, mirando-se no espelho das águas.

A lenda da Iara é conhecida em várias regiões brasileiras e existem diversos relatos de pescadores que contam histórias de jovens que cederam aos encantos da tentadora sereia e morreram afogados de paixão.

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