sábado, 18 de março de 2017

O ARGUMENTO TELEOLÓGICO DA EXISTÊNCIA DE DEUS (ARGUMENTO DO DESIGN)





bERTRAND rUSSEL





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O passo seguinte nos conduz ao argumento da prova teleológica da existência de Deus.

Vós todos conheceis tal argumento: tudo no mundo é feito justamente de modo a que possamos nele viver, e se ele fosse, algum dia, um pouco diferente, não conseguiríamos viver nele.

Eis aí o argumento da prova teleológica de Deus. Toma ele, às vezes, uma forma um tanto curiosa; afirma-se, por exemplo, que as lebres têm rabos brancos a fim de que possam ser facilmente atingidas por um tiro. Não sei o que as lebres pensariam deste destino.

É um argumento fácil de se parodiar.

Todos vós conheceis a observação de Voltaire, de que o nariz foi, evidentemente, destinado ao uso dos óculos.

Essa espécie de gracejo acabou por não estar tão fora do alvo como poderia ter parecido no século XVIII, pois que, desde o tempo de Darwin, compreendemos muito melhor por que os seres vivos são adaptados ao meio em que vivem.

Não é o seu meio que se foi ajustando aos mesmos, mas eles é que foram se ajustando ao meio, e isso é que constitui a base da adaptação. Não há nisso prova alguma de desígnio divino.
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Quando se chega a analisar o argumento teleológico da prova da existência de Deus, é sumamente surpreendente que as pessoas possam acreditar que este mundo, com todas as coisas que nele existem, como todos os seus defeitos, deva ser o melhor mundo que a onipotência e a onisciência tenham podido produzir em milhões de anos.
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Realmente não posso acreditar nisso. Achais, acaso, que, se vos fossem concedidas onipotência e onisciência, além de milhões de anos para que pudésseis aperfeiçoar o vosso mundo, não teríeis podido produzir nada melhor do que a Ku-Klux-Klan ou os fascistas?
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Realmente, não me impressiono muito com as pessoas que dizem: “Olhem para mim: sou um produto tão esplêndido que deve haver um desígnio no universo”. Não estou muito impressionado pelo esplendor dessas pessoas.
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Ademais, se aceitais as leis ordinárias da ciência, tereis de supor que não só a vida humana como a vida em geral neste planeta se extinguirão em seu devido curso: isso constitui uma fase da decadência do sistema solar.
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Em certa fase de decadência, teremos a espécie de condições de temperatura, etc., adequadas ao protoplasma, e haverá vida, durante breve tempo, na vida do sistema solar.
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Podeis ver na Lua a espécie de coisa a que a Terra tende: algo morto, frio e inanimado.
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Dizem-me que tal opinião é depressiva e, às vezes, há pessoas que nos confessam que, se acreditassem nisso, não poderiam continuar vivendo.

Não acrediteis nisso, pois que não passa de tolice. Na verdade, ninguém se preocupa muito com o que irá acontecer daqui a milhões de anos.

Mesmo que pensem que estão se preocupando muito com isso, não estão, na realidade, fazendo outra coisa senão enganar a si próprias.

Estão preocupadas com algo muito mais mundano – talvez mesmo com a sua má digestão. Na verdade, ninguém se torna realmente infeliz ante a ideia de algo que irá acontecer a este mundo daqui a milhões e milhões de anos.

Por conseguinte, embora seja melancólico supor-se que a vida irá se extinguir (suponho, ao menos, que se possa dizer tal coisa, embora, às vezes, quando observo o que as pessoas fazem de suas vidas, isso me pareça quase um consolo) isso não é coisa que torne a vida miserável.

Faz apenas com que a gente volte a atenção para outras coisas.


PALESTRA COMPLETA

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sexta-feira, 17 de março de 2017

PROVA DA EXISTÊNCIA DE DEUS - O ARGUMENTO DA LEI NATURAL





Bertrand Russel




Há, a seguir, um argumento muito comum relativo à lei natural. Foi esse argumento predileto durante todo o século XVIII, principalmente devido à influência de Sir Isaac Newton e de sua cosmogonia.

As pessoas observavam os planetas girar em torno do Sol segundo a lei da gravitação e pensavam que Deus dera uma ordem a tais planetas para que se movessem de modo particular – e que era por isso que eles assim o faziam.

Essa era, certamente, uma explicação simples e conveniente, que lhes poupava o trabalho de procurar quaisquer novas explicações para a lei da gravitação.

Hoje em dia, explicamos a lei da gravitação de um modo um tanto complicado, apresentado por Einstein. Não me proponho fazer aqui uma palestra sobre a lei da gravitação tal como foi interpretada por Einstein, pois que também isso exigiria algum tempo; seja como for, já não temos a mesma espécie de lei natural que tínhamos no sistema newtoniano, onde, por alguma razão que ninguém podia compreender, a natureza agia de maneira uniforme.

Vemos, agora, que muitas coisas que considerávamos como leis naturais não passam, na verdade, de convenções humanas. Sabeis que mesmo nas mais remotas profundezas do sistema estelar uma jarda tem ainda três pés de comprimento.

Isso constitui, sem dúvida, fato notabilíssimo, mas dificilmente poderíamos chamá-lo de lei da natureza.

E, assim, muitíssimas outras coisas antes encaradas como leis da natureza são dessa espécie.

Por outro lado, qualquer que seja o conhecimento a que possamos chegar sobre a maneira de agir dos átomos, veremos que eles estão muito menos sujeitos a leis do que as pessoas julgam, e que as leis a que a gente chega são médias estatísticas exatamente da mesma classe das que ocorreriam por acaso.

Há, como todos nós sabemos, uma lei segundo a qual, no jogo de dados, só obteremos dois seis apenas uma vez em cerca de trinta e seis lances, e não encaramos tal fato como uma prova de que a queda dos dados é regulada por um desígnio; se, pelo contrário, os dois seis saíssem todas as vezes, deveríamos pensar que havia um desígnio.

As leis da natureza são dessa espécie, quanto ao que se refere a muitíssimas delas. São médias estatísticas como as que surgiriam das leis do acaso – e isso torna todo este assunto das leis naturais muito menos impressionante do que em outros tempos.

Inteiramente à parte disso, que representa um estado momentâneo da ciência que poderá mudar amanhã, toda a idéia de que as leis naturais subentendem um legislador é devida à confusão entre as leis naturais e as humanas.

As leis humanas são ordens para que procedamos de certa maneira, permitindo-nos escolher se procedemos ou não da maneira indicada; mas as leis naturais são uma descrição de como as coisas de fato procedem e, não sendo senão uma mera descrição do que elas de fato fazem, não se pode argüir que deve haver alguém que lhes disse para que assim agissem, porque, mesmo supondo-se que houvesse, estaríamos diante da pergunta: “Por que Deus lançou justamente essas leis naturais e não outras?”

Se dissermos que Ele o fez a Seu próprio bel-prazer, e sem qualquer razão para tal, verificaremos, então, que há algo que não está sujeito à lei e, desse modo, se interrompe a nossa cadeia de leis naturais.

Se dissermos, como o fazem os teólogos mais ortodoxos, que em todas as leis feitas por Deus Ele tinha uma razão para dar tais leis em lugar de outras – sendo que a razão, naturalmente, seria a de criar o melhor universo, embora a gente jamais pensasse nisso ao olhar o mundo –, se havia uma razão para as leis ministradas por Deus, então o próprio Deus estava sujeito à lei, por conseguinte, não há nenhuma vantagem em se apresentar Deus como intermediário.

Temos aí realmente uma lei exterior e anterior aos editos divinos, e Deus não serve então ao nosso propósito, pois que Ele não é o legislador supremo.

Em suma, todo esse argumento da lei natural já não possui nada que se pareça com seu vigor de antigamente. Estou viajando no tempo em meu exame dos argumentos.

Os argumentos quanto à existência de Deus mudam de caráter à medida que o tempo passa. Eram, a princípio, argumentos intelectuais, rígidos, encerrando certas idéias errôneas bastante definidas.

Ao chegarmos aos tempos modernos, essas idéias se tornam intelectualmente menos respeitáveis e cada vez mais afetadas por uma espécie de moralizadora imprecisão.

PALESTRA COMPLETA


quinta-feira, 16 de março de 2017

PROVA DA EXISTÊNCIA DE DEUS - O ARGUMENTO DA CAUSA PRIMEIRA




Bertrand Russel


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Talvez o mais simples e fácil de se compreender seja o argumento da Causa Primeira.

Afirma-se que tudo o que vemos neste mundo tem uma causa e que, se retrocedermos cada vez mais na cadeia de tais causas, acabaremos por chegar a uma Causa Primeira, e que a essa Causa Primeira se dá o nome de Deus.

Esse argumento, creio eu, não tem muito peso hoje em dia, em primeiro lugar porque causa já não é bem o que costumava ser.

Os filósofos e os homens de ciência têm martelado muito a questão de causa, e ela não possui nada que se assemelhe à vitalidade que tinha antes; mas, à parte tal fato, pode-se ver que o argumento de que deve haver uma Causa Primeira é um argumento que não pode ter qualquer validade.

Posso dizer que quando era jovem e debatia muito seriamente em meu espírito tais questões, eu, durante muito tempo, aceitei o argumento da Causa Primeira, até que, certo dia, aos dezoito anos de idade, li a Autobiografia de John Stuart Mill, lá encontrando a seguinte sentença:

“Meu pai ensinou-me que a pergunta ‘Quem me fez?’ não pode ser respondida, já que sugere imediatamente a pergunta subsequente: ‘Quem fez Deus?’”. Essa simples sentença me mostrou, como ainda hoje penso, a falácia do argumento da Causa Primeira.
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Se tudo tem de ter uma causa, então Deus deve ter uma causa.

Se pode haver alguma coisa sem causa, pode ser muito bem ser tanto o mundo como Deus, de modo que não pode haver validade alguma em tal argumento.

Este é exatamente da mesma natureza que o ponto de vista hindu, de que o mundo se apoiava sobre um elefante e o elefante sobre uma tartaruga, e quando alguém perguntava: “E a tartaruga?”, o indiano respondia: “Que tal se mudássemos de assunto?”

O argumento, na verdade, não é melhor do que este. Não há razão pela qual o mundo não pudesse vir a ser sem uma causa; por outro lado, tampouco há qualquer razão pela qual o mesmo não devesse ter sempre existido.

Não há razão, de modo algum, para se supor que o mundo teve um começo. A idéia de que as coisas devem ter um começo é devida, realmente, à pobreza de nossa imaginação.

Por conseguinte, eu talvez não precise desperdiçar mais tempo com o argumento acerca da Causa Primeira.


PALESTRA COMPLETA


quarta-feira, 15 de março de 2017

A EXISTÊNCIA DE DEUS





Bertrand Russel


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Esta questão da existência de Deus é um assunto longo e sério, e, se eu tentasse tratar do tema de maneira adequada, teria de reter-vos aqui até o advento do Reino dos Céus, de modo que me perdoareis se o abordar de maneira um tanto sumária.

Sabeis, certamente, que a Igreja Católica estabeleceu como dogma que a existência de Deus pode ser provada sem ajuda da razão. Trata-se de um dogma um tanto curioso, mas é um de seus dogmas.

Tiveram de introduzi-lo porque, em certa ocasião, os livres-pensadores adotaram o hábito de dizer que havia tais e tais argumentos que a simples razão poderia levantar contra a existência de Deus, mas eles certamente sabiam, como uma questão de fé, que Deus existia.

Tais argumentos e razões foram minuciosamente expostos, e a Igreja Católica achou que devia acabar com aquilo.


Estabeleceu, por conseguinte, que a existência de Deus pode ser provada sem ajuda da razão, e seus dirigentes tiveram de estabelecer o que consideravam argumentos capazes de prová-lo. Há, por certo, muitos deles, mas tomarei apenas alguns.

O ARGUMENTO DA CAUSA PRIMEIRA

Entrevista Completa

segunda-feira, 13 de março de 2017

QUE É UM CRISTÃO?



Bertrand Russel

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Hoje em dia não é bem assim. Tem-se de ser um pouco mais vago quanto ao sentido de cristianismo. Penso, porém, que há dois itens diferentes e essenciais para que alguém se intitule cristão.

O primeiro é de natureza dogmática – a saber, que tem-se de acreditar em Deus e na imortalidade. Se não se acredita nessas duas coisas, não penso que alguém possa chamar-se, apropriadamente, cristão.

Além disso, como o próprio nome o indica, deve-se ter alguma espécie de crença acerca de Cristo. Os maometanos, por exemplo, também acreditam em Deus e na imortalidade, no entanto, dificilmente poderiam chamar-se cristãos.

Acho que se precisa ter, no mínimo, a crença de que Cristo era, se não divino, pelo menos o melhor e o mais sábio dos homens.

Se não tiverdes ao menos essa crença quanto ao Cristo, não creio que tenhais qualquer direito de intitular-vos cristãos.

Existe, naturalmente, um outro sentido, que poderá ser encontrado no Whitaker's Almanack e em livros de geografia, nos quais se diz que a população do mundo se divide em cristãos, maometanos, adoradores de fetiches e assim por diante – e, nesse sentido, somos todos cristãos.

Os livros de geografia incluem-nos todos, mas isso num sentido puramente geográfico, que, parece-me, podemos ignorar.

Por conseguinte, julgo que, ao dizer-vos que não sou cristão, tenho de contar-vos duas coisas diferentes: primeiro, por que motivo não acredito em Deus e na imortalidade e, segundo, por que não acho que Cristo foi o melhor e o mais sábio dos homens, embora eu lhe conceda um grau muito elevado de bondade moral.


Mas, devido aos esforços bem-sucedidos dos incrédulos no passado, não poderia valer-me de uma definição de cristianismo tão elástica como essa. Como disse antes, antigamente ela possuía um sentido muito mais vigoroso. Incluía, por exemplo, a crença no inferno.

Entrevista Completa

domingo, 12 de março de 2017

UMA ANÁLISE DA IDEIA DE DEUS E DO CRISTIANISMO


Bertrand Russel
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Como vosso presidente vos disse, o assunto que vou falar-vos esta noite se intitula: “Porque não sou cristão”.

Talvez fosse bom, antes de mais nada, que procurássemos formular o que se entende pela palavra “cristão”.

É ela usada, hoje em dia, por um grande número de pessoas, num sentido muito impreciso.

Para alguns, não significa senão uma pessoa que procura viver uma vida virtuosa.

Neste sentido, creio que haveria cristãos em todas as seitas e em todos os credos; mas não me parece que esse seja o sentido próprio da palavra, pois isso implicaria que todas as pessoas que não são cristãs – todos os budistas, confucianos, maometanos e assim por diante – não estão procurando viver uma vida virtuosa. Não considero cristã qualquer pessoa que tente viver decentemente de acordo com sua razão.

Penso que se deve ter uma certa dose de crença definida antes que a gente tenha o direito de se considerar cristão.

Essa palavra não tem hoje o mesmo sentido que tinha ao tempo de Santo Agostinho e de Santo Tomás de Aquino. Naqueles dias, quando um homem se dizia cristão, sabia-se o que ele queria significar.


As pessoas aceitavam toda uma série de crenças estabelecidas com grande precisão, e acreditavam, com toda a força de suas convicções, em cada sílaba de tais crenças.

Entrevista Completa

sábado, 11 de março de 2017

POR QUE NÃO SOU CRISTÃO




Bertrand Russel




Nascido em Walles, Inglaterra, em 1872, produziu uma obra capital em seus 97 anos de vida. Publicou mais de 40 livros, a respeito de temas tão variados como educação, política, história, religião, ética, casamento e ciência.

Sua grande contribuição, no entanto, deu-se no campo da lógica matemática e da filosofia analítica, de que foi um dos fundadores.

Foi o vencedor, em 1950, do Premio Nobel de Literatura. Russel foi também um pacifista e em 1958 fundou a Campanha pelo Desarmamento Nuclear, chegando a ser preso por suas atividades anti-bélicas.

Faleceu em 1970, em Wales.
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Palestra proferida em 6 de Março de 1927, na Prefeitura Municipal de Battersea, sob os auspícios da Secção do Sul de Londres da National Secular Society, Inglaterra.


terça-feira, 7 de março de 2017

MULHERES ESTÉREIS QUE DERAM À LUZ APÓS A MENOPAUSA









Um fato que desesperavam as famílias do Antigo Testamento, com maior relevância nas mulheres, era a impossibilidade de procriar, gerar filhos. A mulher estéril era chamada de "galhos secos", isso é pela incapacidade de gerar filhos havia a perspectiva de um futuro sem produtividade, um futuro sem frutos no casamento, e era vista como um castigo divino, uma vez que ao fazer a mulher Javé a teria programado para crescer e multiplicar. A mulher fértil era considerada uma bênção, enquanto a estéril era vista como amaldiçoada.

Dentre os mistérios da bíblia está o parto de mulheres velhas que durante toda a sua vida fora estéril. Isaac, um dos três patriarcas israelitas nasceu de Sara, quando esta tinha noventa anos de idade e seu pai cem anos.

Rebeca era estéril, mas Javé ouviu as súplicas de Isaque e a tornou fértil, dando a Isaque dois filhos gêmeos Ezaú e Jacó.

Raquel também era estéril e sofria amargamente presenciando seu marido Jacó engravidar Lia, sua irmã, sua empregada doméstica Bila, e Zilpa esta última, empregada doméstica da sua irmã Lia por várias vezes. Isso fez com que uma inveja se desenvolvesse na sua mente pelo motivo de sua irmã ter filhos e ela não. Segundo a Bíblia, Javé ouvindo suas preces lhe atendeu e teve Raquel dois filhos, José e Benjamin, morrendo de parto do segundo filho.





Sansão, nasceu de uma mãe estéril e de idade avançada cujo nome a Bíblia não informa, mas individualizou apenas como a "Mulher de Manoá".

Ana, mulher de Elcana, registrado no Livro 1 Samuel 1, orou a Deus e foi contemplada com um filho de nome Samuel. Também estéril  Ana sofria amargamente com o fato do seu marido engravidar Penina, sua segunda mulher, que tinha filhos normalmente.





A mulher sunamita, cujo nome não foi revelado, pelo escritor bíblico, era uma mulher rica casada com um homem velho. Sendo estéril simpatizou-se a primeira vista com o profeta Eliseu não medindo esforços para construir uma casa nova para o profeta. Em agradecimento, Eliseu "profetizou" que a sua benfeitora estaria próxima a ter um filho, o que realmente aconteceu.

"Por volta desta época, no ano que vem, você estará com um filho nos braços." (2 Reis 4:16)

Algum tempo depois do nascimento, o filho estando com o pai no campo veio a falecer, foi então que outro milagre aconteceu: O profeta Eliseu ressuscitou o menino morto. (2 Reis 4:35-37)

Mical, uma das mulheres de Davi, estéril por castigo divino.

A  respeito dessa situação de  Mical ou Micol, precisamos entender que a sociedade da época, exigia que as mulheres fossem férteis, para mostrar assim a benção que uma mulher recebia de Deus no seu casamento e também para dar posteridade aos maridos. E, por isso, uma mulher  estéril não era considerada como abençoada por Deus. É o que o castigo quer dizer.

Esse “castigo” foi dado a Mical/ Micol porque ela criticou Davi por ter dançado, diante da Arca do Senhor e também porque ela o desprezou. O texto é da época da corte de Salomão e por isso não seria favorável a quem tivesse feito uma crítica ao rei Davi, especialmente uma mulher.

A infertilidade atribuída a ela, na época, para uma mulher era um castigo muito grande, e isso não levou em consideração todas as boas ações, que Mical efetuou anteriormente, especialmente  em defesa de Davi. 

Como ocorreu várias vezes, o Novo Testamento repete as histórias contidas no Velho Testamento, é o caso de Zacarias, um sacerdote do tempo de Herodes, que pertencia ao grupo sacerdotal de Abias. 

Zacarias era casado com Isabel, descendente de Arão. Eles não tinham filho porque Isabel era estéril e Zacarias de idade avançada. Acontece que o Zacarias recebeu a visita de um anjo, tal como aconteceu com Abraão e a mãe de Sansão, e lhe anunciou o nascimento de um filho com sua mulher, que igualmente a Sara tinha idade avançada e era estéril. É a mesma história contada por quem escreveu o Livro Lucas, do Novo Testamento, só mudam os personagens. O filho nascido de Sara recebeu o nome de Isaac, o filho de Manoá recebeu o nome de Sansão e o filho de Isabel recebeu o nome de João Batista.






O que resta demonstrado super abundantemente, não é outra coisa senão a promiscuidade dentro do próprio lar modelado conforme a lei e a vontade de Deus, onde o chefe de família com o apoio do Deus Javé, promovia uma verdadeira orgia com suas mulheres envolvendo as empregadas domésticas.

É este livro verdadeiramente a palavra de Deus?

Este livro serve hoje como uma orientação exemplar da moral e dos bons costumes?



sábado, 4 de março de 2017

A HISTÓRIA DE DINÁ




Jacó era um hebreu abençoado por Deus. Muito mais do que isso, eram amigos íntimos, trocavam ideias e favores.(1)




A bíblia narra o encontro de Jacó com Esaú, este acompanhado de 400 homens a caminho de Seir, enquanto Jacó suas duas esposas (Raquel e Lia), suas duas escravas e seus doze filhos, seguiram para Salém, cidade de Siquém, onde armou sua tenda  E comprou uma parte do campo em que estendera a sua tenda, da mão dos filhos de Hamor, pai de Siquém, por cem peças de dinheiro.

Porém sua filha Diná, filha de Lia, resolveu dar uma voltinha pelos arredores da cidade e deu de cara com um príncipe maníaco sexual de nome Siquém, filho de Hamor.




O estupro foi inevitável, como se não bastasse, o príncipe a sequestrou para dentro do palácio do seu pai vindo a se apaixonar perdidamente pela sua vítima.

Caído de amores por sua presa Diná, pediu a seu pai Hamor que interferisse junta a família da moça sequestrada.

Quando Jacó ouviu que Diná, sua filha, fora violentada, estavam os seus filhos no campo com o gado; e calou-se Jacó até que viessem.

E saiu Hamor, pai de Siquém, a Jacó, para falar com ele.

E vieram os filhos de Jacó do campo, ouvindo isso, e entristeceram-se os homens, e iraram-se muito, porquanto Siquém cometera uma insensatez em Israel, estuprando a filha de Jacó; o que não se devia fazer assim.

Então falou Hamor com eles, dizendo: A alma de Siquém, meu filho, está enamorada da vossa filha; dai-lha, peço-vos, por mulher;

Daí por diante a narrativa bíblica trata da negociação da filha de Jacó, tendo o rei Hamor como mediador muitíssimo generoso, inclusive se mostrando interessado em unir as duas famílias, a da moça violentada e sequestrada com a alma de Siquém, o estuprador, sujeitando-se ainda a circuncisão.

Notando os filhos de Jacó o interesse obsessivo de Hamor, resolveram enganar o tolo em toda sua boa fé e fingiram que a aliança esta feita.


A VINGANÇA - Deus ajuda dois homens a promoverem um genocídio - Sequestro de mulheres, meninos e meninas.

E aconteceu que, ao terceiro dia, quando estavam com a mais violenta dor, os dois filhos de Jacó, Simeão e Levi, irmãos de Diná, tomaram cada um a sua espada, e entraram afoitamente na cidade, e mataram todos os homens.

Mataram também ao fio da espada a Hamor, e a seu filho Siquém; e tomaram a Diná da casa de Siquém, e saíram.





Vieram os filhos de Jacó aos mortos e saquearam a cidade; porquanto violaram a sua irmã.

As suas ovelhas, e as suas vacas, e os seus jumentos, e o que havia na cidade e no campo, tomaram.

E todos os seus bens, e todos os seus meninos, e as suas mulheres, levaram presos, e saquearam tudo o que havia em casa.

E partiram; e o terror de Deus foi sobre as cidades que estavam ao redor deles, e não seguiram após os filhos de Jacó. (Genesis 35:5)





(1) Satisfeito com a sanha assassina de Simeão e Levi apareceu Deus outra vez a Jacó, vindo de Padã-Arã, e abençoou-o.

E disse-lhe Deus: O teu nome é Jacó; não te chamarás mais Jacó, mas Israel será o teu nome. E chamou-lhe Israel.


Deus é fiel:

Disse-lhe mais Deus: Eu sou o Deus Todo-Poderoso; frutifica e multiplica-te; uma nação, sim, uma multidão de nações sairá de ti, e reis procederão dos teus lombos;

E te darei a ti a terra que tenho dado a Abraão e a Isaque, e à tua descendência depois de ti darei a terra.

E Deus subiu dele, do lugar onde falara com ele.
E Jacó pôs uma coluna no lugar onde falara com ele, uma coluna de pedra; e derramou sobre ela uma libação, e deitou sobre ela azeite.
E chamou Jacó aquele lugar, onde Deus falara com ele, Betel.


Gênesis 35:9-15



Se houvesse um deus, a religião não seria necessária [...] Se Deus existisse, a fé se tornaria desnecessária e todas as religiões entrariam em colapso". (Ron Barrier). 

sexta-feira, 3 de março de 2017

A QUESTÃO DO USO DAS IMAGENS NO CRISTIANISMO DE ROMA









Centenas de deuses foram criados para explicar o inexplicável, até chegarmos a Mesopotâmia e Egito. Todos os deuses das três maiores religiões (Cristianismo, Islamismo e Judaísmo) derivam de deuses antigos.



 A Reforma Protestante promovida por Martinho Lutero aboliu das igrejas cristãs a figura dos santos, com base no mandamento divino que diz:

"Não farás para ti imagem de escultura, nem alguma semelhança do que há em cima nos céus, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra.

Não te encurvarás a elas nem as servirás; porque eu, o Senhor teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a iniqüidade dos pais nos filhos, até a terceira e quarta geração daqueles que me odeiam.

Estaria o legislador javista proibindo a adoração de imagens cultuados na Igreja Católica Apostólica Romana, ou apenas aos deuses conhecidos na época em que os 10 Mandamentos foram escritos?

Sem medo de errar afirmo que a proibição javista envolvia apenas os deuses conhecidos na época não alcançando os deuses ou semideuses criados pela Igreja Católica Apostólica Romana, que no seu estado primitivo, não havia santos. Jesus, que acredito nunca ter existido, jamais se importou com escultura, pintura, música ou qualquer manifestação artística, segundo nos diz o Novo Testamento.

O aparecimento dos santos se deu com o sincretismo religioso com a fusão compulsória do Mithaismo com o Cristianismo, promovido pelo Imperador Teodósio através do Edito de Tessalônica.(1) publicado em 27 de fevereiro de 380 da era atual.

Teófilo, hoje Santo Teófilo, é nomeado patriarca de Alexandria e inicia imediatamente uma violenta campanha de destruição de todos os templos e santuários não-cristãos. Tem o apoio do pio imperador Teodósio. Deve-se a Teófilo a destruição, em Alexandria, dos templos de Mitríade e de Dionísio. Essa loucura destruidora culmina em 391 com a destruição do templo de Serapis e da sua biblioteca. As pedras dos santuários destruídos foram usadas para edificar igrejas para a nova religião única, a cristã.

Destruir templos, estátuas, livros de medicina, livros científicos, bibliotecas inteiras, apedrejar devotos, torturar e perseguir pessoas, é uma característica marcante do cristianismo.

Templos que foram invadidos a partir do dia 28 de fevereiro,
(Podemos apenas imaginar o efeito que isso teve sobre o caráter espiritual da igreja.)  Neste ponto, os templos pagãos foram transformados em igrejas, as estátuas de Júpiter tornaram-se estátuas de Pedro, as imagens de Ísis e Vênus tornaram-se imagens da "virgem abençoada", e a mistura do paganismo com o cristianismo resultou nas diversas doutrinas sem base bíblica e as tradições da Igreja de Roma.


Voltemos ao Velho Testamento

Quais deuses não queria o legislador javista que não fossem adorados?

A bíblia fala do Baal, em diversos lugares, este deus que para os sumérios e acádios era conhecido por Sin o deus da lua. A bíblia fala em Asterath. O próprio rei Salomão prestou-lhe culto (II Reis 23:13 / I Reis 11:15) Esta deusa era a mesma que Inanna na mitologia suméria, Ishtar na mitologia acádia e Isis na mitologia Egípcia e Astarte na mitologia grega.

A grande rainha dos céus (Jeremias 44:19) O templo dela que se pensava inexistente que vem referenciado em I Samuel 31:10 foi encontrado muito recentemente nas ruínas da Ekrom dos filisteus. Lembras-te da Jezebel? Sim? (I Reis 18:19) Ela e os 400 sacerdotes, que não seriam mais que empregados desta deusa… Então e o deus Chamoesh que era irmão de Asterath (Juízes 11:24) que era o mesmo que Shamash para os Acádios e Utu para os sumérios? Então e o Merodach (Marduk para os acádios) em Jeremias 50:2.

Nada que se assemelhe ao que existe lá em cima no céu:

Shapsu (divindade sol), Yarih (divindade lua), Shahar (divindade da aurora), Shalim (crepúsculo), Athtar (estrela da manhã), Athtart (estrela da noite), Baal (divindade guerreira da tempestade); Litan (a serpente voadora)

Ou cá embaixo na terra

Mot (a divindade da morte); Kothar (a divindade artesã construtora)

ou nas águas que está debaixo da terra

Yamm (mar); Leviatã (serpente marinha)


Mas a proliferação de santos nas Igrejas Católicas ocorreram mesmo a partir da Reforma Luterana em 1517, Quando Martinho Lutero bradava que a Igreja Católica era idólatra e o Papa para demostrar força defendia a ideia de que não adorava santos, que aquelas estátuas eram apenas para conservar a lembrança de um religioso que teve a vida pautada em fé, solidariedade cristã e conduta ilibada.

Não há no Velho Testamento nenhum versículo dizendo que essa proibição era para ser obedecida por outros povos mesmo que não fossem hebreus.

SABER MAIS

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

QUANDO ATÉ DEUS PEDE AJUDA





Se há um Deus, a Bíblia é uma blasfêmia. Se não há nenhum Deus, a Bíblia é um mito. De qualquer modo, a Bíblia não é a palavra de Deus.






A INDECISÃO DE DEUS E A OPÇÃO PELO USO DA MENTIRA SAIDA DA BOCA DE SEUS PROFETAS PARA DERROTAR O REI ACABE.





Nos conta a Bíblia que Nabote que morava no vale de Jizreel, tinha uma vinha junto ao palácio de Acabe, rei de Samaria, capital de Israel.

Acresce que por mera conveniência, Acabe leva a Nabote uma proposta de compra e venda, alegando que a plantação de uvas estava junto ao seu palácio. Propôs, Acabe a princípio um troca, oferecendo vantagem uma vinha maior e melhor, caso Nabote não concordasse, pagaria o preço em dinheiro.

Nabote recusou todas as ofertas, dizendo que não ia se desfazer da herança deixada por seu pai.

Tristonho Acabe volta para casa e em uma crise depressiva deixou-se na cama com o rosto voltada para a parede, faltando-lhe apetite.

Sua mulher Jezabel o vendo nesse tristeza profunda, pergunta o por que daquele desgosto, tendo seu marido relatado a sua frustração na aquisição da vinha que tanto desejava por está perto da sua casa.

A Astúcia da Mulher

Vale aqui um pequeno comentário: "Por inúmeras vezes a bíblia elege a mulher como a responsável por decisões precipitadas tomadas pela emoção do momento. Foi assim com Eva, foi assim com Dalila e não poderia ser diferente com Jezabel."


Pois bem, vendo Jezabel seu marido e rei de Israel, abatido por sua incapacidade de diálogo com Nabote, prometeu a Acabe que ia tomar medidas enérgicas para obrigar Nabote a entregar-lhe a vinha desejada.

Disse-lhe Jezabel, sua mulher: "É assim que você age como rei de Israel? Levante-se e coma! Anime-se. Conseguirei para você a vinha de Nabote, de Jezreel". (1 Reis 21:7)

De imediato, Jezabel escreveu diversas cartas em nome de Acabe, pôs nelas o selo do rei, e as enviou às autoridades e aos nobres da cidade de Nabote.

Naquelas cartas ela escreveu: "Decretem um dia de jejum e ponham Nabote sentado num lugar de destaque entre o povo.

E mandem dois homens vadios sentar-se em frente dele e façam com que testemunhem que ele amaldiçoou tanto a Deus quanto ao rei. Levem-no para fora e apedrejem-no até a morte".

As autoridades e os nobres da cidade de Nabote fizeram conforme Jezabel os orientara nas cartas que lhes tinha escrito.

Decretaram jejum e fizeram Nabote sentar-se num local destacado no meio do povo.



Então dois homens vadios vieram e se sentaram em frente dele e o acusaram diante do povo, dizendo: "Nabote amaldiçoou tanto a Deus quanto ao rei". Por isso o levaram para fora da cidade e o apedrejaram até a morte.

Então mandaram informar a Jezabel: "Nabote foi apedrejado e está morto". (1 Reis 21:14)

Assim que Jezabel soube que Nabote tinha sido apedrejado até a morte, disse a Acabe: "Levante-se e tome posse da vinha que Nabote, de Jezreel, recusou-se a vender-lhe. Ele não está mais vivo; está morto!

Quando Acabe ouviu que Nabote estava morto, levantou-se e foi tomar posse da vinha. (1 Reis 21:8-16)

Sendo o Deus dos hebreus onisciente, chamou Elias e o ordenou que fosse até Acabe e o acusasse da morte de Nabote, justamente na hora em que Acabe tomava posse da vinha.

Então o profeta Elias todo obediente ao Senhor seu Deus, acusou injustamente o rei de Israel de ter matado Nabote para se apropriar indevidamente de sua vinha e profetizou:

"No local onde os cães lamberam o sangue de Nabote, lamberão também o seu sangue; isso mesmo, o seu sangue!" (1 Reis 21:19)

Mas as ameaças do profeta de Deus não pararam, Elias amedrontou tanto o rei de Israel, inclusive com intimidações a família de Acabe, chamando-o inclusive de manobrado pela sua esposa, dizendo em alto e bom som que  nunca existiu ninguém como Acabe, que se vendeu para fazer o que o Senhor reprova, pressionado por sua mulher Jezabel.

Quando Acabe ouviu essas palavras, rasgou as suas vestes, vestiu-se de pano de saco e jejuou. Passou a dormir sobre panos de saco e agia com mansidão.

Então a palavra do Senhor veio ao tesbita Elias:

"Você notou como Acabe se humilhou diante de mim? Visto que se humilhou, não trarei essa desgraça durante o seu reinado, mas durante o reinado de seu filho".
(1 Reis 21:27-29)

Cabe aqui uma reflexão sobre a justiça de Deus.

- Acabe não participou de forma alguma do assassinato de Nabote.
- Sabia Deus que Acabe era um homem medroso sem atitude de rei e submisso a sua esposa.
- Sabia Deus quem era o verdadeiro mandante do crime e seus executores, mas preferiu acusar Acabe.
- Vendo Deus a fraqueza de Acabe borrando-se de medo e  humilhando-se perante o Senhor, Deus em conversa com o profeta Elias, resolve poupar Acabe transferindo sua ira para o filho seu sucessor de Acabe no reino de Israel. Que por sua vez nada fez para que ocorresse o apedrejamento e morte de Nabote.



Três anos se passaram em plena tranquilidade sem que houvesse guerra entre a Síria e Israel, até que Jeosafá, rei de Judá, se encontrou com o rei de Israel.

Em conversa, o rei de Israel relembrou a Jeosafá, que a região conhecida como Ramote Gileade, ora dominada pelos sírios, pertencia a Israel e pediu ajuda a Jeosafá para reconquista-la dos sírios.

Jeosafá aceitou a aliança, mas pediu para consultar a palavra de Deus.

Então o rei de Israel reuniu os profetas até quase quatrocentos homens, e disse-lhes: Irei à peleja contra Ramote de Gileade, ou deixarei de ir? E eles disseram: Sobe, porque o Senhor a entregará na mão do rei.

Disse, porém, Jeosafá: Não há aqui ainda algum profeta do Senhor, ao qual possamos consultar?

Então disse o rei de Israel a Jeosafá: Ainda há um homem por quem podemos consultar ao Senhor; porém eu o odeio, porque nunca profetiza de mim o que é bom, mas só o mal; este é Micaías, filho de Inlá. E disse Jeosafá: Não fale o rei assim. (1 Reis 22:6-8)

Micaías abriu o jogo delatando os planos divino. Disse para os presentes que viu Deus assentado sobre o seu trono, e todo o exército do céu estava junto a ele, à sua mão direita e à sua esquerda.(1 Reis 22:19) E o Deus onisciente e onipotente dos hebreus estava sem saber criar uma cilada para levar Acade a morte.

Deus então pede ajuda aos membros da assembleia:

Disse Deus: Quem induzirá Acabe, para que suba, e caia em Ramote de Gileade? E um dizia desta maneira e outro de outra. (1 Reis 22:20)

Então saiu um espírito, e se apresentou diante do Senhor, e disse: Eu o induzirei. E Deus lhe disse: Com quê? (1 Reis 22:21)



E disse ele: Eu sairei, e serei um espírito de mentira na boca de todos os seus profetas.

Deus maravilhou-se com a ideia do espírito e deu permissão para que ele induzisse os profetas ao erro, mentindo descaradamente aos povos de Acade e Jeosafá, para que assim se cumprisse o que falou o profeta Elias quando da posse de Acade na vinha de Nabote.

Dessa forma, usando Deus a mentira, persuadiu o rei de Israel pela boca mentirosa de seus profetas, a subir para Ramote Gileade, onde Acade encontrou a morte ferido por uma flecha disparada a esmo, mas certamente guiada pela mão de Deus.







O rei morto foi levado para Samaria onde o lavaram antes do sepultamento, tendo os cachorros lambido o seu sangue, tal como Deus prescrevera pela boca do profeta Elias.

É de bom alvitre lembrar que tudo isso acontecera por causa de uma vinha.

NOTAS


1) - Salmos 82

1 Deus está na congregação dos poderosos; julga no meio dos deuses.
2 Até quando julgareis injustamente, e aceitareis as pessoas dos ímpios? (Selá.)
3 Fazei justiça ao pobre e ao órfão; justificai o aflito e o necessitado.
4 Livrai o pobre e o necessitado; tirai-os das mãos dos ímpios.
5 Eles não conhecem, nem entendem; andam em trevas; todos os fundamentos da terra vacilam.
6 Eu disse: Vós sois deuses, e todos vós filhos do Altíssimo.
7 Todavia morrereis como homens, e caireis como qualquer dos príncipes.
8 Levanta-te, ó Deus, julga a terra, pois tu possuis todas as nações.


2) - Os cães são criaturas abomináveis pelo Deus de Israel. Pela leitura fria dos textos bíblicos, estão definitivamente condenados ao inferno.

A palavra “cães” de Filipenses 3,2 e Apocalipse 22,15 podemos entender da seguinte maneira. Penso que seja a mais razoável.

Olhando a Carta Paulina aos Filipenses, notamos uma profunda amizade que Paulo tem com os Filipenses, é a chamada carta da alegria. Paulo está satisfeito, pois a comunidade acolheu de boa vontade sua pregação. Tem um grupo contrário a ele os judaizantes que ele alerta de sobremodo na carta. As palavras contra os judaizantes faz com que entendamos o significado que Paulo dá para “cães”, quando ele ataca os judaizantes (os que querem a volta a pratica da lei judaica). Em Filipenses 3,2 ele afirma:

Cuidado com os cães, cuidado com os maus operários, cuidados com os falsos circuncidados!”(Filipenses 3,2) Bíblia de Jerusalém.

Paulo utiliza a palavra “cães” com a mesma ironia que os Judeus chamavam os gentios de cães (conforme Mt 15,26). Paulo na carta aos Filipenses aplica o sentido de “cães”, aos judaizantes, que na comunidade atrapalhavam o crescimento em Jesus Cristo, querendo um retorno a pratica a lei judaica com todos os seus preceitos.
Concluindo: Paulo se refere a “cães” aos falsos judaizantes, que não estão aceitando a Jesus Cristo, e sua proposta.

Em poucas palavras podemos dizer que “cães” que aparece em Apocalipse 22,15, num modo geral tem o mesmo sentido de Filipenses 3,2 são aqueles que rejeitam a proposta de Jesus Cristo. Seguem a vida com seus próprios critérios e nãos os de Deus.

Ficarão de fora os cães, os mágicos, os impudicos, os homicidas, os idólatras e todos os que amam e praticam a mentira”. (Apocalipse 22,15) Bíblia de Jerusalém.


3 - A HISTÓRIA DE ELIAS

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"E ele veio para Bethel, e quando ele andava pelo caminho, saíram pequenas crianças da cidade e zombaram dele e disseram-lhe: 'levanta, calvo'.


"E ele se virou, olhou para eles, e os amaldiçoou em nome do Senhor. E então, duas ursas vieram da mata e devoraram quarenta e duas das crianças".






Esta era a atuação do bom Deus - o piedoso Jeová!