sábado, 31 de outubro de 2015

CRISTIANISMO - Silêncio, Omissão, Segredos, Mentiras...





Falar das posições (e ações) da Igreja durante o século XX é uma tarefa árdua, pois os fatos ainda são recentes e estão encobertos por muitos mistérios, silêncios omissões.

Por exemplo, existe um envolvimento da Igreja nos crimes perpetrados durante a ditadura nazista, mas seu papel no extermínio de judeus e homossexuais ainda precisa ser reconstruído com precisão.




Deixando de lado seu papel ativo, a falta de condenação já diz bastante sobre a posição ideológica da Santa Sé. No que diz respeito às mais sanguinárias ditaduras sul-americanas, a Igreja sempre optou por adotar posições instrumentais e oportunistas.

Todos se lembram do abraço entre Pinochet e o papa Woityla, bem como da oposição à Teologia da Libertação. A aprovação ou participação ativa de religiosos nos massacres mereceria ser tratada em um livro inteiro, com trechos dedicados às causas e reviravoltas geopolíticas em parte ainda não questionadas.

Ainda não conhecemos (ao menos não oficialmente) qual foi a verdadeira causa da morte de Albino Luciani, João Paulo I, morto com apenas 33 dias de pontificado.

E ainda há a grande e controversa história das questões econômicas e financeiras do Vaticano: o Instituto de Obras Religiosas, o caso do Banco Ambrosiano, a história de Roberto Calvi, mas também a de Michele Sindona e, principalmente, de Paul Marcinkus, então presidente do Banco do Papa. Uma história de mortes, furtos e lavagem de dinheiro.

Até hoje não se conhecem os verdadeiros mandantes e o verdadeiro motivo do atentado contra o papa e suas conseqüências internacionais, do desaparecimento de Emanuela Orlandi e Mirella Gregori, e da morte dos guardas suíços, passando por aspectos obscuros de instituições como a Opus Dei.

Nos últimos trinta anos, o Vaticano acumulou uma infinidade de segredos e mistérios dificilmente decifráveis.



Pequeno Estado, grande Império

O Vaticano é hoje um Estado minúsculo, de apenas 0,44 quilômetros quadrados, inserido no coração de Roma e com pelo menos oitocentos habitantes. Estamos bem longe da expansão territorial de poucos séculos atrás, mas o pequeno Estado, hoje, tem mais poder do que nunca, pois controla um bilhão de fiéis em todo o mundo. Na cabeça deste Império está o papa, um verdadeiro monarca ladeado pela Cúria composta de 2.300 pessoas que cuidam de todos os interesses da Santa Sé no mundo. Uma teocracia absoluta.




O Vaticano possui ramificações e emissários em toda parte. Está envolvido não só na história espiritual do planeta, mas também nas decisões políticas e nas escolhas operacionais, ora apoiando, ora obstruindo os vários poderes que se alternam. Seus objetivos se mostram pontualmente utilitaristas.


A Igreja e o nazismo

Nos últimos tempos surgiu uma nova discussão sobre a figura do papa Pio XII (1939-1958) e de seu possível envolvimento no nazismo e no extermínio de judeus.




No final de novembro de 2005, uma comissão católico-judaica internacional, criada em outubro de 1999 e composta por seis historiadores (três judeus e três católicos), não foi capaz de dar uma resposta satisfatória, formulando, ao contrário, 47 perguntas sobre o pontificado do papa Pacelli. Dentre elas: por que o Vaticano não condenou o pogrom nazista de 1938 contra os judeus? O papa tinha conhecimento do extermínio de judeus? Como os fundos colocados à disposição por uma organização judaica americana acabaram sendo usados pela Igreja para salvar judeus convertidos, e não todos os perseguidos? E quanto aos ciganos, negros e homossexuais? A falta de desculpas da Igreja a estas minorias é uma aprovação ao massacre.

É verdade que o papa deu sua aprovação ao anti-semitismo de Pétain em Vichy? Por que durante o famoso discurso do Natal de 1942 o papa condenou as violências nazistas, mas sem fazer menção aos judeus? Por que a Santa Sé se opôs à transferência dos judeus para a Palestina?




Segundo um relatório secreto redigido pelo então embaixador americano junto à Santa Sé, Harold Tittmann, sobre sua audiência com o papa em 30 de dezembro de 1942, Pacelli lhe revelou que considerava exageradas as notícias sobre as atrocidades nazistas contra os judeus.

No encontro de 40 minutos, o papa disse não estar disposto a denunciar explicitamente os nazistas. Ele demonstrou "temer" que as notícias sobre as atrocidades pudessem ter fundamento, mas "também me deixou entender que estava convencido de que os Aliados haviam exagerado por razões de propaganda", o diplomata americano contou no relatório de quatro páginas, carimbado como top secret e apenas recentemente revelado pelos arquivos públicos americanos.1 

A Igreja ainda hoje responde a essas perguntas com o silêncio, chegando a permitir, ironicamente, que a comissão só consulte os arquivos vaticanos até 1922. Outra resposta significativa a essas perguntas foi a canonização do papa Pio XII por parte de João Paulo II.

Fonte de Estudo





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